Pedagogia e recursos



 Ensino Escola Bauhaus Professores Arte Josef Albers

Mais um post sobre o Ensino a juntar a este e a este. Desta vez trata-se uma história antiga passada há cerca de 80 anos numa escola de artes. Um professor entrou na sua primeira aula com uma pilha de jornais debaixo do braço e disse mais ou menos as seguintes palavras:

Minhas senhoras e meus senhores, somos pobres e não ricos. Não nos podemos dar ao luxo de desperdiçar tempo ou material. Temos de aproveitar o melhor do pior. Qualquer obra artística começa a partir de um material específico e temos, por conseguinte, de estudar primeiro as características desse material. Para tal, em primeiro lugar temos de experimentar simplesmente – sem tentar produzir algo. Por ora, concentremo-nos na técnica, não na beleza. A complexidade da forma depende do material com o qual trabalhamos. (...) Compreenderam tudo? Gostaria agora que pegassem no jornal que receberam e fizessem dele algo mais do que é agora. Gostaria também que respeitassem o jornal, que o utilizassem de uma forma significativa e tivessem em conta as suas qualidades particulares. Se conseguirem fazer isso sem a ajuda de facas, tesouras ou cola, melhor ainda. Boa sorte!

Regressou horas mais tarde e pediu aos seus alunos que expusessem os resultados dos seus esforços no chão. Havia máscaras, barcos, castelos, aviões, animais e numerosas pequenas figuras concebidas com muita esperteza. Infantilidades, assim designou ele tudo. Escolheu depois um, uma peça bastante simples, de um jovem arquitecto húngaro. Este não tinha feito nada excepto dobrar o material ao comprido de forma a que ficasse em pé como um par de asas...

Explicou, então, a forma perfeita como o material tinha sido percebido, como foi trabalhado e como dobrar era um processo apropriado para ser aplicado ao papel, uma vez que transformava este material mole em rígido, tão rígido que podia ficar em pé no seu ponto mais fino – a ponta. Explicou também como um jornal deitado numa mesa só tinha uma parte activa visualmente, sendo o resto invisível. Mas com o papel em pé, as duas partes tornaram-se visualmente activas. O papel tinha, assim, perdido o seu exterior apagado, a aparência monótona.

Uma aula magistral que, no entanto, utilzou uns meros jornais velhos. O professor era o pintor Josef Albers e a escola era apenas a Bauhaus...

 Ensino Escola Bauhaus Professores Arte Josef Albers

Da esquerda para a direita: Walter Gropius, Johannes Itten, Paul Klee, Vassily Kandinsky, Josef Albers, Laszlo Moholy-Nagy, Mies Vander Rohe, Marcel Breuer

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Co-fundador e ex-colaborador do obvious, actualmente retirado, foi responsável durante bastante tempo pela definição da linha editorial. Concebeu e coordenou a transição do blog para o formato de magazine.
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