A velhice do Novo

Publicado em arquitectura por seven em 13 nov 2006 | 4 comentários

 Arquitectura Modernismo Lota Aveiro Patrimonio

Quando foi inaugurada em 1959 a Lota de Aveiro era um garboso edifício modernista. Um modernismo à portuguesa, bem entendido, misto de Art Déco com International Style e Português Suave... Nessa altura muitos arquitectos ainda acreditavam nas virtudes do Moderno e naquilo que simbolizava. O Estado Novo, por seu lado, não tinha uma opinião formada sobre isso embora não escondesse a sua predilecção por edifícos embrulhados em papel nacionalista, fosse ele Neo-Joanino, popularucho ou uma mistura de ambos. Alguns arquitectos abraçaram convictamente este "estilo", como Cristino da Silva ou Cotinelli Telmo; outros mantiveram-se fieis ao Modernismo mais duro, como Viana de Lima ou Cassiano Branco.

Este edifício é bem representativo dessa época de hesitações. Como ele muitos outros existentes por esse país fora que têm o azar de não serem ainda suficientemente antigos para serem considerados património porque, por ignorância certamente, por cá se confunde antigo com qualidade e se é incapaz encontrar virtudes no que é novo. Digamos caricatamente que nada com menos de 100 anos é digno do carimbo de Património... E, no entanto, o século XX foi pródigo em boa arquitectura, tantas vezes anónima, competente e significativa, como ainda há pouco tempo aqui mostrei mas que, infelizmente não possui o carimbo mágico...

Assim vai envelhecendo tristemente o Novo, depressa demais, pagando o preço das suas ousadias construtivas (casas sem telhado, parede finas, grandes envidraçados...) e da sua juventude. Quando por fim se tornar suficientemente velho para ser considerado antigo - coisas diferentes - e merecer distinção patrimonial já só restarão ruínas. Então, como no conjunto da Lota de Aveiro, não haverá sequer Polis que nos valha...

 Arquitectura Modernismo Lota Aveiro Patrimonio

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4 comentários

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Gostei muito do post, tal como do outro para que remetes e que não lera. Parabéns! Guardei ambos no meu disco rígido.

Manuel Pelourinho em 13 de novembro de 2006

Eu também gostei muito do post, tal qual o outro do link.
Permita-me duas ressalvas:
Cassiano Branco... "modernismo duro"...?
Época de hesitações e/ou também época de compromissos e de algumas "cedências"?

am em 13 de novembro de 2006

Sim, realmente Cassiano não foi um bom exemplo; apenas nalguns casos. Também estou de acordo quanto às cedências e não foram tão poucas quanto isso...
Obrigado pelas correcções. ;)

seven em 13 de novembro de 2006

durante as minhas pesquisas encontrei estes posts e senti-os da forma como sinto o que se passa em Lisboa, ou devo dizer o que não se passa em relação à aequitectura modernista.
Entretanto convido-o a visitar os Itinerários modernistas lisboetas em www.limabrunner.pt

abraço

frederico lima em 14 de março de 2009

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