Western Morricone


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Muitos dos filmes Western Spaghetti converteram-se na imagem de marca do seu autor Sergio Leone graças a uma linguagem cinematográfica muito peculiar e poderosa: longos tempos de espera, primeiros planos contrapostos a grandes espaços, silêncios e ruídos bizarros... Mas grande parte da ambiência e misticismo se ficaram a dever também as suas bandas sonoras. Por trás delas está um outro nome não menos genial: Ennio Morricone. O compositor italiano criou temas destinados ao cinema que são por si obras primas absolutas, algumas delas referências musicais de primeira grandeza. É justo colocá-lo junto aos maiores autores do século XX.

Conta-se que Leone, já com o guião pronto, encomendava a banda sonora muito antes de começar as filmagens dando a conhecer em detalhe ao compositor toda a história do filme. Tal como acontece no cinema de animação, as cenas desenrolam-se ao ritmo da música; é ela que dá consistência à história e caracteriza acontecimentos e personagens. Durante a representação era comum os actores estarem a ouvir a música correspondente à cena, experiência que descreviam como fantástica...

O primeiro dos filmes da trilogia Eastwood foi Per un pugno di dollari, de 1964. Aqui Morricone ensaia um estilo que viria a apurar nos dois seguintes. Assobio solitário e melodioso, guitarras eléctricas, instrumentos de percursão de cordas, ruídos diversos.

No ano seguinte sai o segundo filme da série, Per qualche dollaro in più, no qual o tema principal é uma variação muito subtil do primeiro, tal como a própria história, actores, etc.

O terceiro e último filme deste conjunto, datado de 1966, é antológico: Il buono, il brutto, il cattivo. O grito do coiote inspira Morricone para aquela que é talvez a sua composição mais conhecida. Leone usa-a magistralmente.

Com C'era una volta il West, de 1968, Leone conclui o tema Western ao mesmo tempo que inicia uma nova trilogia, talvez não premeditada, a das "Era uma vez...". É um filme sofisticadíssimo e grandioso e Morricone tem aqui oportunidade de criar uma série de trechos musicais que associa a personagens. É notável a forma como no tema minimalista e sinistro da harmónica duas simples notas dão origem a uma composição cada vez mais cheia, complexa e melodiosa. Uma obra prima.

Poucos saberão que Giù la testa, de 1971, é o segundo desta trilogia talvez pelo facto de ser conhecido por vários títulos: Duck you, sucker! ou também A Fistful of Dynamite nas versões americanas. Em Itália também se chamou C'era una volta la rivoluzione. Entre nós foi intitulado Aguenta-te canalha! A banda sonora é desconcertantemente bela...


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