
No espírito pragmático emergente na União Soviética pós-Revolução de 1917 uma expressão ganhou relevo: nova visão. Referia-se muito simplesmente à imagem produzida pela lente de uma máquina fotográfica - e, por isso, plena de objectividade - uma vez que o aparelho erradicava qualquer imagem subjectiva do mundo; era pura objectividade e mostrava a realidade pura e dura; estava em consonância com a crença nas possibilidades da máquina para criar um novo mundo, uma sociedade nova...
Curiosamente este papel vanguardista não coube à fotografia mas sim ao cinema, como é o caso dos filmes de Eisenstein. Além disso, devido à escassez de papel fotossensível e de produtos químicos de revelação era muito difícil à fotografia competir com o filme como instrumento de propaganda dirigido às massas. Houve no entanto alguns resistentes, como Aleksandr Rodchenko.
Trabalhando a fotografia como documento da realidade e como instrumento de propaganda Rodchenko afirmou ser possível desse modo expor a falsidade latente em todos os produtos artísticos - a linha defendida pelos Realismo Socialista. No entanto, subtilmente, foi mais longe ao subscrever que a fotografia era uma parte constituinte da arte contemporânea. Contraditório?
Porém, ao observarmos as suas fotografias com composições arrojadas, como os grandes planos, as perspectivas monumentais, a geometrização com ênfase nas diagonais, os pontos de vista abruptos tomados de cima ou de baixo, percebemos o verdadeiro sentido das suas palavras, a dimensão da sua criatividade e o seu legado futuro. Estas e outras ousadias, como a insistência no preto e branco, valeram-lhe o rótulo de formalista que, na altura, era potencialmente uma ameaça de morte. Sem Rodchenko não teria havido fotojornalismo nem teríamos podido admirar as imagens de Cartier-Bresson, Capa ou Seymour...







3 comentários
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Sandra Leite
Mr. Seven,
Foi importante também por ter sido o outro lado do futurismo (blaaaaa).
Matemática simples, perfeita!
Racionalismo ...total[itário]
e um viva ao Estado!
beijos
Murilo
Insisto nas legendas. Ainda mais quando vejo aquela imagem forte do Lenin sendo carregado em praça pública.
Marcos Ordonha
De uma certa forma a fotografia se faz pelo ângulo de seu fotógrafo, não excluindo totalmente um subjetivismo, além de seu aspecto momentâneo para com o sentimento do retratado.