Educação visual


 Arte Pintura Romantismo Turner Abstraccionismo Musica

A arte como expressão de sentimentos é um conceito relativamente novo. Foi preciso esperar pelo século XIX e pelas correntes românticas para que as emoções do artista fossem aceites como tema "sério". Se bem que esta revolução tenha percorrido invariavelmente todas as expressões artísticas vejo-a com especial importância na pintura e na música. Considero-as diferentes de todas as outras e privilegiadas por isso mesmo.

Na verdade estas duas formas artísticas têm em comum o facto de actuarem directamente em nós através da sugestão, sem o filtro da razão - ou da consciência, se preferirmos. Dito de outro modo, não nos apercebemos porque gostamos (ou detestamos) de uma obra determinada e teremos dificuldade em dizer porquê. São linguagens diferentes. O genial Liszt, porém, na citação que lhe dediquei no post de ontem, conseguiu expressar bastante bem em palavras esta ideia...

Não digo que a arte é apenas a expressão de sentimentos; seria redutor afirmá-lo. Temos exemplos de sobra de obras de arte concebidas apoiadas no maior racionalismo para não dizer no racionalismo puro (atendo-nos somente à música e à pintura temos os casos de Beethoven ou Mondrian). Digo sim que estas duas disciplinas falam por natureza uma linguagem exclusivamente sensorial se apresentadas no seu estado puro: a música sob a forma de melodia, a pintura sob a forma de abstracção.

Em ambos os casos as suas manifestações estão desprovidas de significado. Ora é precisamente esta ausência de significado que nos baralha, habituados que estamos a ter de encontrar uma explicação para tudo. É uma herança da cultura ocidental, fortemente enraizada, que sempre proscreveu a atitude romântica como algo menor, conotado com a futilidade e o inconsequente.

Se na música a questão é mais pacífica na pintura é, ainda hoje, polémica. Trata-se de uma questão de educação visual, de educar a nossa visão para a linguagem das formas, das cores, dos contrastes, das linhas, dos ritmos... É curioso e triste como, tendo o primado sobre os outros sentidos, a nossa visão se mantém ainda tão inculta. No nosso país particularmente ouso afirmar que somos subdesenvolvidos nesta matéria. Para que serve uma disciplina com esse nome nas nossas escolas? Mude-se-lhe o programa ou então mude-se-lhe o nome!

E, porque tudo começou aí, deixo-vos com algumas pinturas de Turner, aqui e na Galeria, um pintor oitocentista à frente do seu tempo. Conta-se que se fechava na escuridão de uma cave durante dias a fio e, bruscamente, num dia solarengo, abria as janelas de par em par e deixava que a luz o cegasse! Depois pintava...

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