Música ao vivo


 Musica Baile Espectaculo Danca

Antes das discotecas terem aparecido como cogumelos em dias de chuva era tradição ir aos bailes, eventos socio-culturais caídos em desuso que eram animados por música ao vivo. Por todo o lado existiam conjuntos e agrupamentos musicais com repertórios especializados em determinados géneros de música que tinham a seu cargo dar música ao pessoal ávido de um pezinho de dança.

Os bailes populares ainda hoje subsistem e não diferem muito do que eram antigamente, modas à parte. É preciso sublinhar toda a emoção que representa ter músicos de carne e osso a tocar num baile e toda a série de imprevistos que isso acarreta: cordas partidas, problemas com a aparelhagem, provocações, enganos e uma variedade de peripécias que têm de ser criativamente resolvidas pelos executantes. Graças ao álcool consumido pelo público e, às vezes, pelos músicos, muitos bailes degeneravam em pancadaria. Eram os melhores...

A própria execução dos músicos era em si frequentemente hilariante. Sendo muitos deles amadores, dedicavam-se a esta actividade nas horas vagas; os espectáculos decorriam nos fins de semana com maior intensidade nos meses de Verão; os repertórios eram monótonos e mal ensaiados; a capacidade técnica deixava muito a desejar e diluía-se no matraquear da bateria e no barulho das luzes. Só os nomes destes agrupamentos musicais davam para escrever uma tese de doutoramento!

No entanto havia um tipo de evento dançante de bom nível que se praticava em locais mais selectos como boites, pubs, casinos, etc. Nestes casos a música era tocada por conjuntos residentes constituídos por profissionais trajados a rigor onde muitas vezes se incluía um(a) vocalista. O repertório, muito cuidado, oscilava entre os standards de Jazz, a Bossa Nova então emergente, os compositores americanos (Porter, Rodgers, Gershwin, etc.), música latina e umas coisinhas mais ousadas oriundas da Fusão ou do Jazz-Rock. Raramente se tocavam originais.

Participei em muitos destes espectáculos desde o vulgar jantar dançante às passagens de ano e guardo deles boas recordações. Infelizmente os grupos profissionais foram desaparecendo e dando lugar a enlatados servidos por indivíduos com formação musical incipiente e gosto discutível, navegando ao sabor das modas. É mais barato mas é pior. A dança essa foi substituída por um gingar desarticulado do corpo. Falta de ritmo. Falta de swing. Lamento-o.

Laura, Errol Garner


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