A pena de Maria Antónia


 Arte Desenho Siza

Uma mão segura a pena que percorre o papel; a tinta da China cai na folha branca e deixa linhas, rabiscos e borrões que, por fim agrupados, revelam a forma precisa de um rosto masculino com barba e óculos: assim é Álvaro Siza retratado por Maria Antónia Siza. O desenho, fiel ao seu modelo, tem algo de inquietante, de misterioso e também de fascinante; é quase expressionista. Quem é a pessoa que desenha assim?

Maria Antónia Marinho Leite nasceu no Porto em 1940. Estudou pintura na Escola Superior de Belas-Artes do Porto embora não tenha concluído o curso. Foi casada com o arquitecto Álvaro Siza do qual teve dois filhos: Álvaro Leite e Joana Marinho. Morreu em 1973, aos 33 anos, demasiado jovem.

 Arte Desenho Siza

Para aqueles que, como eu, apenas ouviram falar dela, ver os seus desenhos é uma experiência impressionante. São de uma beleza estranha e, ao mesmo tempo, de enorme tristeza, angústia e inquietação. Aparentemente são desenhos de alguém com uma enorme lucidez que olha para o mundo com desencanto e com ironia; alguém que se sente inconformado e que se consegue afirmar através da criação. Maria Antónia desenhava sem outro propósito que não fosse desenhar.

Percorrendo os seus desenhos vemos desfilar uma série de figuras ora monstruosas ora fantasmagóricas: seres deformados e contorcionistas, mulheres de rosto enrugado cobertas de roupas de outras eras, estátuas gregas na sua nudez e ar afectado, velhos agonizantes no seu leito de morte... O traço é linear e ziguezagueante, entrelaçando as figuras num arabesco; detém-se mais demoradamente em alguns pormenores, como os pés e as mãos. A mão de Maria Antónia desenha sem parar...

 Arte Desenho Siza

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