V de Vitória


 Musica V-disc Guerra Discos USA  Musica V-disc Guerra Discos USA

Corria o ano de 1942 e uma grande agitação dominava os bastidores da música norte-americana devido ao braço de ferro entre a Federação dos Músicos Americanos e as principais editoras discográficas. A greve arrastou-se por mais de um ano em protesto contra a concorrência da música gravada, causa do desemprego de muitos profissionais do ramo. Durante este período poucas ou nenhumas gravações se fizeram.

Paralelamente, o exército americano, envolvido na Segunda Grande Guerra desde 1941, estava a levar a cabo uma acção de apoio às suas tropas nas diversas frentes de combate através do envio de discos de vinil de 40cm / 33rpm com... marchas militares. Pensavam os seus promotores na Armed Forces Radio Service que isso seria inspirador e levantaria o moral dos soldados. Estes discos eram na maior parte das vezes gravações de espectáculos radiofónicos a que eram retirados os anúncios.

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No final de 1943 a Secção Musical do Departamento de Guerra (sic) conseguiu a cooperação da Federação dos Músicos Americanos no sentido de diversificar e enriquecer o conteúdo das suas gravações na condição de os discos se destinarem exclusivamente às tropas. A sua distribuição comercial estava, pois, interdita. Os novos discos adoptaram um novo formato de 30cm / 78rpm e receberam a designação emblemática de V-disc em que V tanto pode significar vitória como aludir ao nome do arquitecto desta genial ligação, o tenente George Vincent.

Os V-disc tornaram-se rapidamente um sucesso junto das tropas cansadas de ouvir marchas militares pois tinham de tudo um pouco: swing, jazz standards, clássico, os maiores êxitos das big band e também... algumas marchas militares. Era comum os temas começarem com uma introdução ou dedicatória do líder da banda ou dos artistas desejando sorte aos soldados. Cada lado do disco continha cerca de 6 minutos de gravação.

Apesar da prensagem destes discos ser feita nas maiores companhias discográficas da época, como a RCA Victor e a Columbia Records, os artistas actuavam sem restrições. Deste modo puderam reunir-se nomes que devido a vínculos contratuais jamais se encontrariam: Glenn Miller, Benny Goodman, Frank Sinatra, Billie Holliday, Bing Crosby, Andrew Sisters, Nat King Cole (que para o efeito mudou o nome para Shorty Nadine) entre outros. Nos V-disc encontramos versões únicas e irrepetíveis.

A guerra terminou mas a produção continuou até 1949 tendo como destino os soldados estacionados na Europa no âmbito do Plano Marshall após o que todas as matrizes foram inutilizadas a pedido da Federação dos Músicos Americanos. As cópias existentes foram confiscadas e destruídas pelo FBI e outras instituições governamentais - nos EUA não se brinca com estas coisas. Felizmente alguns exemplares sobreviveram para contar a história, coleccionados não só por zelosos particulares mas também pela própria Biblioteca do Congresso...

Bing Crosby & Andrew Sisters, Accentuate the Positive (Mister In-Between) (Johnny Mercer / Harold Arlen)

You've got to accentuate the positive Eliminate the negative Latch on to the affirmative Don't mess with Mister In-Between

You've got to spread joy up to the maximum Bring gloom down to the minimum Have faith or pandemonium Liable to walk upon the scene

(To illustrate his last remark Jonah in the whale, Noah in the ark What did they do Just when everything looked so dark)

Man, they said we better Accentuate the positive Eliminate the negative Latch on to the affirmative Don't mess with Mister In-Between No, do not mess with Mister In-Between Do you hear me, hmm?


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