Walter Miller - Um cântico para leibowitz #1


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Quando na década de setenta me iniciei nas delicias da Ficção Cientifica, tive o previlégio de o fazer precisamente por esta obra prima de Walter Michael Miller que, ainda hoje permanecem, obra e autor, como referências maiores e incontornáveis da FC, ombreando com nomes como Isaac Asimov e Robert A. Heinlein.

Pleno de actualidade, "Um Cântico para Leibowitz" (A Canticle for Leibowitz, 1959), longe de ser somente uma das melhores obras pós-apocalípticas da FC, é um retrato brilhante do paradigma tecnológico da Humanidade e um relato contundente da eterna luta entre os valores da Ciência e da Religião.

A obra épica de Miller não é uma alegoria política, mas a ilustração cabal de que aqueles que falham em aprender com a História estão condenados a repeti-la.

Na primeira parte, “Fiat Homo” ["Let There Be Man"], o cenário é a idade das trevas, 600 anos depois de uma guerra nuclear; o mundo destruído é aterrorizado por bestas, mutantes e salteadores. O conhecimento está misturado com mitos e os mosteiros católicos preservam resquícios indecifráveis da antiga civilização. Basicamente, durante esse período, não há salvação fora da Igreja Católica. Na Abadia de São Leibowitz os monges copiaram, gerações após gerações, as recordações de Leibowitz, sem entender o seu significado. Leibowitz é considerado um santo, mas ironicamente, é somente um Técnico de Electrónica judeu e os seus tão idolatrados textos são listas de mercearia, um bilhete de lotaria e desenhos de sistemas de controle eléctrico. O Irmão Francisco, um jovem monge, encontra um desenho técnico, que está incluído nas relíquias de Leibowitz e morre violentamente quinze anos mais tarde.

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“Depois de tirar o último tabuleiro, o noviço tocou os papéis reverentemente: apenas um punhado de documentos, mas na verdade um tesouro, pois tinham escapado das chamas ferozes da Simplificação, quando até as Escrituras Sagradas se tinham contorcido enegrecidas e dissipado em fumo, enquanto as turbas ignorantes urravam e saudavam aquilo como um triunfo.

Segurou os papéis como se seguram as coisas sagradas, protegendo-os do vento com o hábito, pois estavam frágeis e quebradiços devido à antiguidade. Havia um certo número de desenhos esboçados e de diagramas.

Havia também notas feitas à mão, dois grandes papéis dobrados e um pequeno livro intitulado ''Memorando".

Examinou primeiro as notas. Tinham sido rabiscadas pela mesma mão que escrevera a nota colada à tampa, e a letra não era menos abominável. "Libra de pastrami", dizia uma nota, "lata de kraut, seis bagels — tragam para Emma."

Outra continha um lembrete. "Não esquecer de apanhar o formulário 1040, Renda do Tio." Outra, nada mais era que uma coluna de algarismos com um total dentro de um circulo do qual um segundo total era subtraído, com uma percentagem seguida da palavra "bolas!" O Irmão Francis conferiu as contas. Pelo menos, nenhum erro havia na aritmética do escriba abominável, mas nada podia deduzir a respeito do que poderiam representar aquelas quantidades. Tomou o Memorando com especial reverência, porque o título sugeria Memorabilia. Antes de abri-lo, persignou-se e murmurou a Bênção dos Textos. Mas o pequeno livro foi um desapontamento. Esperara encontrar páginas impressas, mas só havia listas de nomes e lugares, números e datas escritas à mão. As datas cobriam a última parte da quinta e o princípio da sexta década do século XX. Outra vez firmava-se a sua ideia de que o que havia no abrigo vinha do declínio da Idade da Luz. Uma descoberta realmente importante.”


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