
Estava esses dias viajando de ônibus e já não sei mais como se viaja de ônibus sem estar acompanhada de algum aparelho de som (um simples mp4). O que me embalava entre um engarrafamento e outro era a trilha sonora do filme Frida, de Elliot Goldenthal e particularmente uma canção sempre me eleva mais os pensamentos: “Burn it Blue” cantado pelo Caetano Veloso.
Por algum motivo que não sei ainda qual foi, comecei a remontar as vezes que já ouvi a voz desse tropicalista pelas películas afora e, quando minhas lembranças já não davam mais contas, me vi no IMDB... Daí reparto essa pesquisa com vocês.
O primeiro flerte de Caetano com o cinema foi em Viagem ao fim do Mundo (1968), baseado no Memórias Póstumas de Brás Cubas do Machado de Assis; a canção era “Alegria, Alegria” (minha música favorita aos 12 anos de idade). Nesse período, a música brasileira já entrava em convergência com a música de todo mundo num impulso de difusão de informação que desembocaria assustadoramente no que chamamos de globalização. Mas não é esta a discussão que cabe aqui.
Por sua figura, postura e forma de sentir a música, Caetano consegue captar a expansão Brasil - América Latina - Mundo, faz com que o exótico não soe caricato e com que nossa música gere uma identificação sem fronteiras marcadas, principalmente nas canções em língua espanhola. Assim, esteve em trilhas do Almodóvar duas vezes: em A Flor do Meu Segredo com “Tonada de luna llena” e em Fale com Ela com “Cucurrucucú Paloma”; essa última dá a graça também no chinês Felizes Juntos.
No cinema americano, fez performances em O Alfaiate do Panamá com “Let's Face the Music” e virá agora no novo de Jack Black compondo e cantando “Irene” em Nacho Libre . Mas o grande êxito foi,sem dúvida, a canção “Burn it Blue”, que rendeu o Oscar de melhor canção a Goldenthal no dueto entre Caetano e Lilá Downs; há nesta uma profundidade passional e melancólica tão aos moldes Frida Kahlo... a pena é a música ser em inglês, bem como o filme que cairia tão melhor em castelhano.
No cinema nacional, o cantor envolveu-se bastante na trilha sonora de Lisbela e o Prisioneiro : a doce canção “Você não me ensinou a te esquecer” é ainda sucesso nas rádios daqui e sua composição “Lisbela” tornou-se ícone com a (extinta?) Los Hermanos. Compôs também para A Dama do Lotação, O Quatrilho, Orfeu de Cacá Diegues e, recentemente, em O Ano que meus pais sairam de férias e Ó pai, ó.
Para a lista completa dos flertes entre Caetano e o cinema, aqui o link do Imdb. Abaixo, ouça “Burn it Blue” (música de Elliot Goldenthal, letra de Julie Taymor e performance por Caetano Veloso & Lila Downs).
10 comentários
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buxi
A musica que me derreto a ouvir é o "Pato". Simplesmente linda
bjr
Muito bom prill
Mateus
Certos vinhos melhoram com o tempo. Caetano também.
Margarida Villela
Este blog fascina-me por experimentar nele imensas sensações. Esta música do Caetano juntamente com aquela imagem que possui uma expressão e uma vida indescritível, proporcionaram-me uma grande emoção e bem estar. Lindo de Morrer... obrigada obvious!
Susana Miguens
Arrepiante. Parabéns!
Sandra Leite
não gosto de falar da obra do Caetano, porque ela é tão maravilhosa, completa e envolvente que qualquer adjetivo é piegas. Lindo de viver!
Sandra Leite
Parte 2 : Mas Prill, parabéns pelo post. Música é meu fraco..... :-) E Caetano nem se fala!
prill
muito obrigada, Sandra. é sempre tão fácil quando as sensações falam por si... difícil é só explicar. bjs
ana rodrigues
concordo com todos os comentarios ! Caetano a minha companhia milhares de vezes e sempre com a mesma admiraçao pelo seu trabalho! THE BEST!!!!!!
Caco Channel
Esta música Burn it Blue é a consagração... é de ar-re-pi-ar, a modulação da voz deste dois é algo!! Frida deve ter vibrado junto com eles este momento e, que bom termos pessoas com sensibilidade de saber apreciar a arte
um abraço
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