Caminho do mal - Arrogância de alguns ISP


Nada é de graça, nem mesmo aquilo que não pagamos para utilizar. Esta é a absoluta e única verdade em todas as áreas de negócio que possamos conhecer. Quer sejam on-line ou no mundo mais tradicional, alguém, de alguma forma, está a pagar os custos do serviço mais básico que utilizamos, propondo-nos quase sempre uma moeda de troca que encaramos como gratuita.

A moda global do mundo on-line centra-se em encontrar viabilidade económica dos projectos através de modelos publicitários assentes em parcerias ou, para o mais comum dos mortais, do Google Adsense. O utilizador possui um acesso à informação - ou aplicação - facilitado e, em troca, não se importa de ver alguma publicidade. Como seria de esperar, a pré-disposição de ver essa publicidade e a subsequente capacidade de investimento que o utilizador possui é rentabilizado pelo site ou empresa ao qual ele está a aceder. Todas as partes sabem as regras do jogo não havendo mistérios ou surpresas para ninguém.

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O que me chamou a atenção recentemente foi o caso de um ISP americano que implementou um modelo de sequestro (hijacks) de ligação entre o utilizador e um qualquer site, injectando-lhe publicidade não solicitada ou acordada de uma forma embebida. A tecnologia é fornecida pela NebuaD e permite que o ISP efectue esta operação sem ser impedido ou sequer detectado.

Vamos ter como exemplo este blog. Se você for um infeliz cliente de um ISP que esteja a utilizar a tecnologia da plataforma da NebuaD, independentemente do layout ou configuração deste blog, o utilizador poderá ver um banner publicitário que não foi colocado ou autorizado por nós. O grave desta situação é que, pelo facto da publicidade não aparecer em nenhum pop-up mas sim completamente integrada no site, poderá fazer o utilizador pensar que esta está devidamente autorizada e conotada com este site. O obvious, por seu turno, jamais saberá do sucedido pelo simples facto de não ser cliente desse provedor de serviços. O utilizador jamais saberá que não foi este blog que decidiu colocar aquele banner horroroso que ocupa 2/3 da página.

O mais intolerável é que o ISP em causa nem sequer possui planos de acesso privilegiados ou gratuitos para esta modalidade, fazendo com que os seus pobres utilizadores paguem pelo serviço básico de ligação à Internet e, de uma forma totalmente desprezível e dissimulada, adulteram os sites de destino com publicidade. Dada a vulgarização da publicidade on-line os utilizadores irão sempre pensar que estão a ver sites no seu estado original e os sites originais verão o seu layout adulterado e abusado por um terceiro elemento que se intrometeu na ligação e a alterou de uma forma maliciosa.

Esperemos que os direitos de copyright, as leis que regulam a privacidade on-line e a indignação enquanto utilizadores de uma Internet democrática impeçam que esta realidade se espalhe a outros provedores de serviço de Internet.


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