Viagens #4: descubro que estou muito suja


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Vão-me desculpar a intimidade de alguns factos deste post. Trata-se de higiene e, portanto, não há como fugir aos detalhes pessoais. Andava eu confiante nas minhas lavagens, quando decidi um dia fazer depilação. A depilação é uma espécie de último reduto dos meus hábitos pessoais, contra a progressão subtil de hábitos mais de acordo com as leis da natureza. Portanto, comecei a aplicar nas pernas as fabulosas bandas de cera fria, grande invenção da modernidade, e a reparar que, nos sítios de onde as tirava, a pele ficava mais clara. Primeiro pensei que era uma reacção natural ao esticão da cera; mas depois lembrei-me de que, se fosse o caso, a pele deveria ficar vermelha. Foi ai que comecei a desconfiar. Porque eu bem tinha estranhado, dias antes, ter as pernas tão morenas, quando não tinha apanhado sol.

Ao fim da tarde tomei banho, e confirmei: tinha toda a pele coberta por uma película simpática de porcaria. Não é coisa para admirar: cada passo que se dá no vale levanta uma nuvenzinha de poeira avermelhada que, pelos vistos, sobe pelo corpo acima e se deixa acomodar à pele das pernas, da barriga, das costas, do couro cabeludo. Eis uma razão para as pessoas aqui andarem geralmente com a roupa empoeirada, por um lado; e, por outro, usarem várias camadas de roupa (este será tema de outro post). Isso deve protegê-las bastante da acumulação de poeira. Bom, mas eis-me no banho, rendida à necessidade de usar uma luva de tecido áspero para tentar arrancar a terra da pele (o chamado sarro). Meus amigos, a cor da água era qualquer coisa de extraordinário. Procurem no catálogo La Redoute mais próximo uma cor chamada "toupeira" (vejam na secção de mulher; a secção de homem só tem cores fáceis de perceber) e terão uma ideia daquilo de que falo.

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