Psicoestimulante - Nova droga para Workhaolics, Geeks e Militares


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Milhões de anos de evolução optimizaram, no cérebro humano, o equilíbrio entre o repouso induzido pelo sono e o estado de vigília e entre a aquisição de informação necessária e não necessária. Estudos efectuados por David Dinges e por cientistas militares provaram que a performance humana deteriora-se quando dormimos menos de oito horas por dia. Desregular este sistema poderá alterar profundamente o nosso sistema hormonal e encher a nossa cabeça de informações inúteis e trazer consequências imprevisíveis ao delicado equilíbrio neuronal.

A coqueluche do momento em termos de medicamentos psicoactivos é o Modafinil (Concerta (Brasil); Provigil (U.S.A., UK, Itália, Bélgica); Vigil (Alemanha); Modalert, Provake, Modapro (India); Modiodal (Portugal, França, Mexico, Turquia, Grécia, Suécia); Modavigil (Austrália); Alertec (Canada); Vigicer (Argentina); Resoty, Mentix (Chile)), um estimulador da vigília e das capacidades cognitivas que não possui, aparentemente, os efeitos secundários das drogas anfetamínicas, actuando preferencialmente no hipotálamo. O modafinil está para o sono como os contraceptivos para o sexo: separa o acto das suas consequências biológicas.

Originalmente desenvolvido e comercializado em França pela Lafon desde 1994, aprovado em 1998 pela FDA e comercializado exclusivamente desde 2001 pela Cephalon, foi e é primariamente utilizado para o tratamento da narcolepsia. Permite descansar apenas quatro horas por noite e passar 24 a 72h sem dormir e sem sono, não alterando durante o período de actuação a capacidade de concentração e o discernimento, e melhorando mesmo o humor e a sociabilidade. A sua acção libertadora de dopamina no nucleus accumbens é relativamente fraca e dose-dependente, pelo que a possibilidade de uma resposta de euforia, escalada na dose e tolerância é aparentemente pequena.

A sua acção terapêutica rapidamente extravasou os limites da narcolepsia e hoje o modafinil é crescentemente utilizado no tratamento de patologias tão diversificadas como a Doença de Alzheimer, a fadiga e a sedação no Síndrome Depressivo, o Síndrome do Défice de Atenção (ADHD) na criança, a Esquizofrenia, a Dependência de Metanfetaminas e Cocaína, a Doença de Parkinson, a Apneia do Sono de origem obstrutiva, a fadiga neurológica na Esclerose Múltipla, o Jet-Lag, o Síndrome de Obnubilação pós Anestesia e a sonolência na Cirrose Biliar Primária. Desde o seu lançamento há treze anos o modafinil tem vindo a tornar-se cada vez mais popular com as vendas mundiais a atingirem 575 milhões de USD em 2005.

O uso do modafinil para fins militares tem aumentado significativamente como alternativa ás metanfetaminas com várias governos a admitirem o seu uso no teatro de guerra, e o uso lúdico, não terapêutico, deste psicoestimulante tem vindo a crescer exponencialmente no seio de adolescentes e adultos jovens, workhaolics e geeks que almejam atingir o nirvana da diversão e do trabalho non stop. Embora não existam ainda estudos credíveis sobre a extensão e consequências do uso de modafinil desinserido do seu contexto terapêutico, pela população em geral e pelos extractos mais jovens em particular, ninguém realmente sabe o que poderá acontecer a longo prazo relativamente à vida, à criatividade e aos hábitos duma sociedade que não durma...


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