Quartos de banho japoneses #1


 Banheiro WC Quarto Banho Sanitario Japao Latrinas Turcas Retretes

Os posts de ontem fizeram-me reflectir sobre os quartos de banho. É curioso como este pequeno e desprezado espaço destinado a actividades consideradas menos nobres pode dizer tanto das pessoas... Quase que se poderia dizer, muito justamente, mostra-me a tua retrete e dir-te-ei quem és e isto é válido tanto individualmente como colectivamente. De facto, se analisarmos os vasos e retretes por esse mundo fora veremos que aí se encontra cruamente espelhado o carácter genuíno de cada povo - a retrete é um indicador cultural infalível.

É notória a existência de um enorme hiato civilizacional entre o Oriente e o Ocidente, com o Japão, talvez um dos países mais desenvolvidos do mundo, a ocupar o lugar cimeiro. Esta superioridade manifesta-se, obviamente, nas retretes. Historicamente o Japão sempre apresentou padrões de higiene elevados. Enquanto na Europa era comum lançar as águas negras e dejectos humanos na rua, os japoneses recolhiam-nos para fertilizar as terras. As fezes dos ricos, por exemplo, eram muito procuradas devido à sua alimentação mais rica e, portanto, davam bons fertilizantes. Chegavam a ser vendidas por bom preço. Esta necessidade levou à criação de latrinas ou sanitas turcas - um buraco no chão sobre o qual o utilizador depositava os seus preciosos excrementos para depois serem recolhidos - que se tornaram na retrete tradicional japonesa.

Há todo um sentido ético e utilitário reunido neste conceito sanitário. Note-se que até ao aparecimento das primeiras latrinas na Japão, no século III d.C. aproximadamente, já havia um sistema primitivo de retrete que consistia num pequeno canal de água corrente com 10 a 15 cm de largura. A introdução da latrina representa um enorme avanço civilizacional e transforma o acto de defecar numa experiência cultural de significado profundo. É importante que o utilizador mantenha o equilíbrio e adopte uma posição correcta e, para isso, existe um apoio frontal para as mãos (o único contacto físico existente). Tal postura fortalece as articulações e os músculos pélvicos, favorece a concentração e permite que se elimine maior quantidade de matéria fecal do cólon. Além disso as fezes caem no sítio exacto, não sujando e não salpicando. Perfeito.

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Este tipo de vaso era utilizado quer por homens quer por mulheres, ambos vestindo o kimono que, tradicionalmente, se usava sem qualquer roupa interior; bastava, por isso, ser levantado à altura da cintura. Não se julgue porém que, após o acto, lhes bastava deixar cair as vestes. Durante os tempos mais remotos utilizavam vários sistemas para limpar o ânus - algas, plantas de folhas largas e, sobretudo, espátulas de madeira - até que se passou a utilizar um papel rugoso feito de fibras vegetais denominado washi.

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A retrete tradicional japonesa continua ainda hoje a ser muito comum. A maioria é feita em porcelana embora também se utilize o aço inox, tal como no Ocidente. Ao invés de caírem num sifão com água os dejectos são recolhidos por um canal cuja limpeza se faz por um jacto de água de fluxo e intensidade variáveis consoante se trate de fezes ou urina. Para evitar situações desagradáveis aconselham-se os utentes a desnudarem-se da cintura para baixo. Um último pormenor de requinte e higiene: os chinelos de retrete, presentes qualquer em casa que se preze...

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