AK-47: a arma do século XX #2


 AK-47 Kalashnikov Armas Guerra Afeganistao Taliban USA USSR Nicholas Cage como Yuri Orlov (Lord of War, 2005)

Ainda que o mesmo negue, há claras semelhanças entre o design da arma de Kalashnikov e suas predecessoras como a alemã Sturmgewehr 44 e a italiana Cei-Rigotti. O que diferencia a criação do general da dos outros rifles de assalto (e lhe confere a genialidade) é justamente seu design simples: a AK-47 possui apenas oito peças. Pode ser montada facilmente em 60 segundos até mesmo por uma criança que saiba lidar com blocos de Lego e, principalmente, é adaptável à produção de larga escala o que otimiza economicamente e estrategicamente seu uso: no meio do conflito, um soldado pode consertar seu rifle com as peças do outro primeiro que encontre pelo campo. Tem ainda fama de ser indestrutível: resistente à entrada de areia, de água, pode cair de grandes alturas, rolar na lama, ser chutada, que continuará disparando seus 600 tiros por minuto logo em seguida. Juntando-se a isso seu fácil manuseio, tornou-se a estrela não apenas de Stalin, mas de todos os líderes guerrilheiros, ditadores, radicais religiosos e chefes do tráfico da Ásia à América.

Em 1958, a Avtomat Kalashnikova 1947 participou de seu primeiro conflito fora de casa: com apoio da URSS que proveu os armamentos, o Vietname do Norte invadiu o Laos e, pouco mais de seis anos depois, quando da invasão sul vietnamita pelos Estados Unidos, as AK-47 provaram seu desempenho nas florestas tropicais lamacentas contra a serie de inaptabilidades do M-16 (também desenvolvida com inspiração de Kalashnikov, mas pelos americanos). Este último arrecadava então para si a fama de ser uma arma exigente, intolerante a sujeira e outros reveses naturais de uma guerra.

Nos anos seguintes à Guerra do Vietname, a AK-47 iria se espalhar pelo planeta dando poder e prestígio a traficantes, assassinos e terroristas que mudariam a face do mundo”. A citação é de Lary Kahner em seu livro AK-The Weapon that changed the face of war e serve a nos ajudar na visão do processo que levaria o rifle de assalto a todos os cantos do planeta: com a vitória em campos asiáticos, a República Soviética decidiu avançar sobre o Afeganistão buscando expandir o comunismo ao Oriente Médio. Forneceram assim armas ao país, que se declarou favorável à URSS em 1978 após o assassinato do governante Sardar Daoud Khan (e de toda sua família) e subiu ao poder o Partido Democrático Popular, comunista. Dez anos depois o regime chegava ao fim com a expulsão dos soviéticos pelos mujahedin (tropa treinada e armada pelos Estados Unidos), mas a AK-47 já estava enraizada na memória afegã. É a consagrada arma Talibã com a qual Osama Bin Laden é sempre fotografado.

Com o fim da União Soviética, grandes estoques de tanques, helicópteros e outros armamentos ficaram inutilizados. Mas por pouco tempo: os próprios militares da ex-república socialista encarregaram-se de negociar clandestinamente todo o arsenal comunista através de figuras como Victor Bout, que inspirou o Yuri Orlov do filme “O Senhor das Armas”. Iria assim alimentar a demanda dos rebeldes e guerrilheiros africanos; também dos governos que seriam por eles implantados como o da Libéria de Charles Taylor. Este viria a se tornar conhecido como um dos maiores psicopatas da história e a AK-47 viria, mais uma vez, a se tornar ícone de um povo.

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Priscilla santos

é adoradora de cervejas e colabora com a obvious.
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