David Landes: Fortunas e infortúnios das grandes famílias empresariais


2007051900_blog.uncovering.org_letras_artes_david_landes_dinastias_dynasties_baring_ford_rothschild_toyota.jpg Villa Ephrussi de Rothschild

É verdade que alguns livros publicados por historiadores têm uma linguagem muito aborrecida que rende a alguns deles apelidos nada agradáveis pelos corredores das academias afora (por exemplo, Perry Anderson já há tempos passou se chamar Porre Anderson). Mas esse não é o caso de David Landes; com seu texto elétrico, o historiador emérito de História Econômica em Harvard, destrincha os processos de mudanças quase que subvertendo a tradição historiográfica por não chegar nem perto dos imensos modelos evolutivos-explicativos da História.

O livro Dinastias apresenta uma série de 13 rápidos esboços sobre grandes famílias mercantis de empreendimentos bancários, automobilísticos, de ferro, óleo e mineração. Alguns casos são velhos conhecidos dos que minimamente se interessam pela história dos negócios como os Ford, os Rockfeller e os Toyoda (Toyota).

Landes atravessa os séculos XVIII, XIX e XX mergulhado nos eventos que transformaram cada uma dessas famílias em impérios - alguns hoje tanto ruídos como o Baring - num texto instigante que nos leva a todos os continentes, aos ciclos sociais das fortunas, aos escândalos, preguiças, guerras, “arrogâncias e condescendências”, mostrando a influência que essas famílias tiveram sobre determinadas nações seja (ou fosse) através de negociações diretas com governos e imperadores por empréstimos, subvenções ou monopólios ou através de seus sucessos ou bancarrotas capazes de influenciar a vida de milhares pessoas envolvidas direta ou indiretamente com esta ou aquela empresa.

O empreendedorismo, a superação e a sorte são elementos sempre presentes nessas narrativas: Rothschild, Morgan, Baring, Ford, Agnelli, Guggenheim, Toyota, Walton, Peugeot, Renault, Rockefeller... estão todos unidos por esses elementos e têm suas trajetória coroadas de estratégias que acabam por nos deixar confusos às vezes: a idéia que temos é de que os negócios de nossos tempos tendem a se alargar, a se racionalizarem. Como então as empresas familiares controlam de 70% a 90% de todos as empresas do mundo? Essa é exatamente a maior provocação que o livro faz: parece que as estratégias liberais clássicas não podem contra certas estratégias tradicionalistas baseadas nas relações sociais de confiança que existem (ou que devem existir) no seio das famílias. Da mesma forma que a livre e igualitária concorrência se mostra uma ilusão necessária.

Num exemplo do peso dessas relações sócio-familiares encontramos o Rothschild Mayer Amschel. Ao morrer este deixou um testamento em que deixava expresso que todos os membros da família deveriam se casar com seus próprios primos de primeiro e segundo graus, preservando assim a vasta fortuna. A regra foi obedecida à princípio, os negócios prosperam com a endogamia, bem como o judaísmo familiar. Porém, mais tarde, outras casas judaicas floresceram, alguns tornaram-se dissidêntes e tudo (aspas para 'tudo') afrouxou-se. Esses tipos de casamentos profissionais parecem ser fundamentais na manutenção das empresas familiares.

Assim, como um contador de histórias, David Landes nos faz assistir ao épico da criação da Standart Oil, a ascensão da Ford Motor Company, as influências das famílias Citröen e Peugeaut , a mão de ferro do velho Walton que sustenta o imenso Wal-Mart.. Isso entre muitos bastidores caustica e sarcasticamente comentados pelo autor que ao final no trás a certeza de uma leitura extremamente prazerosa e instigante.

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Priscilla santos

é adoradora de cervejas e colabora com a obvious.
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