Possuidor de uma personalidade complexa e fascinante, Picasso apresentava no entanto períodos prolongados de mau humor, fosse por problemas familiares, fosse por insatisfação com o seu trabalho. Nessas alturas era insuportável - nada estava bem para ele! - o que poderá explicar os seus relacionamentos pouco duradouros, especialmente com as mulheres. Todavia, demonstrava uma atitude generosa e tolerante para com outros artistas ou para com pessoas criativas de uma maneira geral; respeitava o seu trabalho e procurava não se intrometer.
Assim sendo, quando alguém o queria fotografar, ele seguia obedientemente as indicações do fotógrafo como que impressionado pela parafernália de tripés, câmaras e projectores que o rodeavam. Numerosas imagens do pintor espanhol foram produzidas através deste método por fotógrafos famosos como Robert Capa, Cartier-Bresson, Yosuf Karsh, David Seymour, Robert Doisneau ou Man-Ray que, pese embora a sua grande qualidade, reflectiam mais a personalidade do fotógrafo do que do retratado. Esta não foi, porém, a abordagem de Edward Quinn.
Edward Quinn começou por ser músico. Durante a segunda guerra mundial tornou-se piloto da RAF e, quando a guerra acabou, continuou a pilotar para a aviação civil. Nos anos 50' foi viver para a Côte d'Azur, já na altura local de lazer de inúmeras celebridades internacionais. Pensou então que talvez fosse boa ideia tornar-se repórter fotográfico... Em 1951, durante uma das suas reportagens, conheceu Picasso. Nas primeiras fotografias que tirou Quinn ficou voluntariamente aquém de certo limite, deixando o pintor trabalhar livremente sem necessidade de poses artificiais.
Picasso sentia-se à vontade com o fotógrafo e concentrava-se exclusivamente no trabalho esquecendo que estava a ser retratado. E assim, ao longo de mais de 20 anos, Quinn entrou na sua esfera privada, captando o homem que estava para lá do artista - a sua casa, as suas mulheres, os seus filhos, os seus amigos, os seus animais de estimação. Foi dos poucos a ter o privilégio de o fazer, conseguindo reunir o mais espantoso conjunto de imagens que se conhece do pintor. Picasso, por seu lado, nunca lhe pediu para ver as fotografias; sabia que, apesar do interesse jornalístico nele como "objecto", havia um código de ética escrupulosamente observado. Por isso se tornaram amigos.
11 comentários
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Dina
O tipo, o Picasso, para além de mal-humorado era muito desorganizado...
Dina
Bolas!, não saiu o link! :[
Aqui vai o porquê da desordem...
http://bp1.blogger.com/_VOGq2czzcZQ/RnaKaQoMIkI/AAAAAAAAAFY/NBrk5E6N6aA/s1600-h/quino.bmp
Sandra Leite
Morar na Côte d'Azur é um charme!
(eu em São Paulo);
Começou sendo músico
(meu fraco. Já eu, economista).
Amigo do Picasso!
(sem comentários)
Ética
(finalmente, empatamos....)
é...a vida como ela é!
Lindo post, Mr Seven!
bjos
seven
Grato, Ms. Sandra
Sandra Leite
Mr.Seven,
Falas comigo como meu diretor o faz.
( o todo-poderoso ):-)
Bjs,
Sandra
seven
Oh, eu sou pouco poderoso...
Sandra Leite
LOL.
Mas já é poderoso.
Metade do caminho foi percorrido!
" Se todos fossem iguais a você....."
bjos
seven
Ah, isso é do Jobim, né?. Isso é Bossa Nova... :)
Sandra Leite
..."que maravilha viver ...."
Tal qual a Bossa Nova, adorável! :)
prill
fiquei completamente sem fôlego... em todos os sentidos artísticos, sexuais e sentimentais que isto possa lá ter.
great Seven!
Patrícia Carmo
Como vejo as fotos relacionada ao artigo?