Viagens #6: no país das camisas de dormir


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Estão a ver aquelas túnicas compridas que geralmente associamos aos países muçulmanos? Em Marrocos, a versão mais tradicional é a djelaba, uma túnica com capuz que funciona como indumentária exterior para quando se sai de casa. Imaginem agora que, em vez de serem túnicas que lembram camisas compridas, são camisas de dormir, tal e qual as camisas de dormir em malha de algodão que vemos nos estendais portugueses; e imaginem que vão pelas ruas da aldeia, ou a casa das pessoas, e vêm muita gente em camisa de dormir. Usam-nas como, nas aldeias em Portugal, se usa a bata. Por baixo da túnica-camisa-de-dormir, há sempre pelo menos um par de calças e uma camisola (e depois a roupa interior); à noite, basta-lhes tirar a camisa de dormir ou a djelaba e enfiarem-se com a roupa de baixo na cama. Não é difícil imaginar que, para eles, um turista que traz apenas calções e t-shirt de alças anda, no fundo, em roupa interior pela rua.

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Com temperaturas de 20 e tal ou 30 e tal graus, as mulheres andam por vezes com calças de lã de malha canelada e camisolas de malha por baixo da camisa de dormir. E não sei se por baixo ainda há alguma camada de roupa (lembro-me de contar, numa mulher sentada ao meu lado, três tipos de tecido diferentes por baixo da túnica - calças, saia e avental, percebi depois). Mas às vezes vemos uma mulher com roupa de lã ao lado de outra com algodão fresco (frequentemente, um pijama de algodão por baixo da camisa de dormir), dando a sensação de que a sensibilidade às diferenças de temperatura se encontra muito bem domesticada.

Claro, não sei se são mesmo camisas de dormir. Eu não consigo diferenciá-las das nossas camisas de dormir de malha de algodão, aquelas com decotes redondos, franzidos no peito e fitinhas de cetim por aqui e por ali, com padrões de passarinhos, coraçõezinhos e nuvenzinhas em tons pastel. Talvez as mulheres optem por estes vestidos como alternativa mais barata às túnicas tradicionais. Na verdade, nesta região do Alto Atlas não são sequer as djelabas a roupa exterior habitual nas mulheres, mas sim uns vestidos de veludo de tons fortes e escuros (verde, azul, cor de vinho) com bordados amarelos ou dourados, apertados com cintos. Isto deve ser um grande mercado para os têxteis chineses - como é para a loiça chinesa, pelo que tenho visto, e se calhar também para os cobertores, que devem ser o têxtil mais vendido no pais.

O meu receio é que um dia me perguntem se não acho uma qualquer camisa de dormir bonita. Ando a pensar numa resposta.


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