Factos casuais #2


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Quarto facto: as situações embaraçosas. Todos os dias passamos por autênticas vergonhas provocadas em geral por coisas que não dominamos, esquecimentos ou por infelizes acasos. Qual de nós não foi ainda socialmente humilhado por um remendo nas calças, uma meia rota ou uma braguilha aberta? Se um ataque de soluços é péssimo por si só, um acesso de tosse em pleno teatro é um verdadeiro suicídio! E o que dizer da nossa figura triste quando alguém nos faz rir enquanto bebemos ou quando o nosso estômago solta aqueles ruídos gorgolejantes a meio de uma importante reunião? Um cisco no olho ou uma daquelas pancadas "eléctricas" no cotovelo servem apenas para nos lembrar a nossa condição de mortais. Mas, de todas estas situações, nenhuma é tão humilhante como descobrir que fomos nós quem pisou a merda de cachorro no passeio...

As frases feitas constituem verdadeiras pontes de relacionamento social; um mal necessário, portanto. O que fazer perante um silêncio estarrecedor num táxi, numa sala de espera ou num elevador? Disparar uma frase feita judiciosamente escolhida entre os seguintes exemplos: Pois é. Está calor hoje, hem? Cá vamos andando... Então que tal vai isso por aí? É a vida... Mora com os seus paizinhos? Tem os olhos da mãe. Gostas mais do papá ou da mamã? "Eles" nunca mais acabam com isto... Então e aquele penalti ontem? (Abanando a cabeça) É sempre a mesma merda! Algumas são tão rebuscadas que se tornam surreais, como é o caso de o cadáver encontrava-se já sem vida. Outras são profundamente embaraçosas: Ah, é a esposa? Desculpe, parecia-me a sua mãezinha... Definitivamente, sem não tem nada para dizer, o melhor é estar calado.

Um facto real e deprimente são as férias em Agosto. Para qualquer europeu trata-se de uma fatalidade, uma vez que é altura das férias escolares. É um espectáculo que não é bonito de ver: gente por todo o lado como não se pensava que existisse, ostentando um ar estupidamente feliz; pais a berrar com os filhos; famílias obesas a empanturrar-se; corpos disformes vestidos de forma ridícula, com chinelos e camisolas de cavas; barrigas de cerveja, sovacos peludos e unhas encravadas; fast food; cheiro a suor e a fritos; tatuagens e queimaduras solares de vários graus; filas de trânsito debaixo de um calor tórrido, janelas abertas e música aos berros; "animação" nocturna; cantores de verão; festas, arraiais e folclore; emigrantes; notícias idiotas na rádio e na televisão; pessoas a regar jardins ridículos apesar da falta de água; souvenirs; passeios turísticos guiados; fotógrafos amadores. O dramático é que também fazemos parte do espectáculo.

Sétimo e último facto: o futebol. Lamento mas não gosto; não do desporto em si mas de tudo o que gira à sua volta - e este país gira, infelizmente. Não suporto o endeusamento que se faz de jogadores mimados e boçais. Não suporto os ordenados obscenos que auferem. Não suporto as vigarices dos altos dignitários dos clubes. Não suporto os comentários pseudo-eruditos dos jornalistas com pretensões pseudo-catedráticas na matéria. Não suporto o tempo de antena outorgado ao desporto-rei na comunicação social. Não suporto os "jornais desportivos" 99% futebol. Não suporto as piadas futebolísticas. Não suporto a generosidade dos políticos para com o futebol em comparação com a austeridade que demonstram em relação à educação, à saúde e à cultura. Não suporto os jogos nas televisões dos cafés. Não suporto os hooligans nem os fanáticos. Não suporto discussões de adeptos. Não suporto que induzam nas crianças simpatias clubísticas. Não suporto as declarações dos treinadores depois do jogo.

Para terminar desafiamos os seguintes blogs a dar seguimento à cadeia e a escreverem sobre 7 factos casuais e intransmissíveis:

Pensar Enlouquece, Pense Nisso. Bitaites Limão Expresso Geeks do planeta Geek Papo-seco Ego Confession Há vida em Markl


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