Mayra Andrade, de Cabo Verde para o mundo


 Musica Cabo Verde Mayra Andrade World Music

Não é difícil verter uma lágrima ao ouvir uma morna cabo-verdiana quando o amor, a melancolia, o desejo do retorno, e a ânsia de uma vida melhor são os temas óbvios deste povo, que canta o seu encanto e desencanto como só um povo forjado na adversidade sabe exprimir. Pura melodia num ritmo fluido, a sua humildade é tanta que ela chega aos nossos ouvidos sem estridência, sem sofisticação mas com frescura e inocência, real e orgânica, imperfeita e sincera.

A influência musical latino-americana e portuguesa, sempre presente nas guitarras e nos cavaquinhos, embebe no fado as raízes da morna, e nas suas harmonias mais populares, coladera, funana, cola san jon, tabanka, aboio, ladaínha, batuke, finaçon, bandera e canizadi, que completam a multitude do reportório cabo-verdiano. O continente africano, ali tão perto, é omnipresente.

A juntar a todo este oceano de influências acresce a da diáspora, e mesmo a do exílio, que trouxe ao convívio dos grandes obreiros da música cabo-verdiana como Cesária Evora, Tito Paris, Ildo Lobo, Katchass, Bulimundo, Bau e Voginha, Chico Serra e Tey, vozes como a de Mayra Andrade, dona de uma liberdade, de uma limpidez, de um sentido estético e de um colorido vocal que transformaram esta babélica jovem de vinte anos num caso muito sério da Música do Mundo.

O seu único registo publicado “Navega”, pontilhado de relevos jazz, afro e brasileiros, é uma ode à arte de bem expressar pelo canto o que vai no mais profundo da alma através do que de melhor a música de Cabo Verde tem: sentimento e simplicidade. Ouça aqui, até não poder mais, uma voz com alma...

Lindo(a) de morrer...


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