
Este bizarro objecto no meio da paisagem que lembra vagamente uma tabuleta é na verdade um projecto arquitectónico dos polacos Front Architects que se destina a ser implantado em qualquer local: na cidade, na planície, na montanha, num lago, etc. É como uma estaca que se crava no solo, em terra firme ou na água. O conceito denomina-se Single Hauz - literalmente, habitação para uma pessoa - e pretende preencher uma lacuna ao nível da oferta de habitações para solteiros, um grupo social cada vez maior nas sociedades ocidentais.
É uma proposta singular e arrojada. À primeira vista pode parecer tecnicamente inviável, sobretudo no que toca à estabilidade de um grande volume apoiado num pilar de betão face ao vento ou a possíveis sismos. Essa é, no entanto, a questão mais pacífica (veja-se, a propósito, a espantosa estrutura da Fábrica Johnson de F. Ll. Wright, de 1936). Mais importante é saber como se articula com as diversas infraestruturas próprias de uma habitação moderna - acessos, água, electricidade, esgotos - bem como o seu posicionamento relativamente a outros equipamentos. Neste aspecto é mais controversa.
Se, porém, o actual modelo social e urbano estiver em colapso - e muitos pensam que está - então será necessário encontrar alternativas ao nosso modo de vida. Viver só será então uma opção; dispor de pouco espaço um constrangimento, trabalhar à distância um hábito, habitar uma casa auto-sustentável uma necessidade. Neste prisma, a Single Hauz não se torna somente interessante como também visionária.




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12 comentários
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Valdir Carvalho
Taih! Derepente uma solucao estetica pras nossas favelas... deixando o solo livre, sem riscos de desmoronamento com as arvores e vegetacao preservadas... Mas ha que se estudar os esgotos e acessos...mas eh de se pensar. Gostei!
seven
Também gostei muito, Valdir. Penso que esses problemas que aponta serão resolvidos se vistos no quadro de uma arquitectura auto-sustentável, como se refere no texto.
mila
Precisa ver a planta... Isso não parece satisfazer o programa habitacional brasileiro em nadica de nada. Pensem num aglomerado disso, longe do chão... e a estética cool cosmopolita?, serve pra gente não. Coisa que nós não somos, graças à nossa mega-pluri-cultura mestiça, é "cool".
seven
Atenção Mila: esta proposta é teórica e não se adapta a todas as situações. Mas é preciso ver que a nossa maneira de viver, sobretudo nas sociedades ocidentais, está a mudar muito depressa. Vamos ter que repensar os nossos hábitos. Esta proposta vai nesse sentido.
Obrigado pelo seu comentário.
Robick
Estas contruções tem aparentemente algo em comum com as propostas de Le Corbusier das construções assentes em pilotis, deixando livre o espaço ao nível do solo.
Mas enquanto as propostas de Le Cobursier eram claramente urbanas e comunitárias, esta passa por soluções individualistas para ser implantadas em sítios improváveis ou inóspitos. Não é uma propostas de planeamento urbano, mas de solução individual para gente com outros meios.
De qualquer forma, sempre me atraiu a proposta de uma construção bem acima do solo e até talvez, da copa da árvores, tendo a consciência que é uma solução muito individualista.
Robick: acho que temos de olhar para esta proposta com mente aberta. Há muito potencial nela e pode ser um bom ponto de partida para soluções de habitação num futuro próximo. Quando Le Corbusier avançou com as suas propostas também o acharam radical...
gabriel moraes
Essa última casa é numa praça, não preciso nem terminar.
Heder
Ronaldo!!!
M Leão
ideias pra simplificarem a vida são sempre bem vindas...mas solteiros costumam tomar umas "biritas" essa escada é ante bebado...hahahahaha
Roni
Uma perguntinha, pra onde vai o esgoto? pra água?
Manuel Peres
Uma nova ideia, ou de outra forma, uma inovação na arquitectura e sua interferência ambiental, merece uma imensa discussão. O "novo", por vezes, só é um facto consumado após ser polemizado ou estafado por crítica. Quanto ao que vejo, trata-se de um objecto possível de integração e "tão," como da sua implantação. A coluna que suporta o objecto pode ter o diametro adequado ás passagens, canalizações ou cablagens necessárias, bastando para tal, decidir o seu trajecto e seus terminais. Um elevedaor circular para certos casos, só lhe ficaria bem. Um objecto de design merecedor de uma conjuntura de competências e ao alcance da realidade.
Luis Martins
É sempre revigorante receber uma lufada de ar fresco como esta!!!...