Viagens #13: Mustafa e Fatima


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Mustafa e Fatima são os nomes das personagens de uma canção que vi inúmeras vezes num DVD em casa de uma rapariga aqui do vale. Mais do que ver programas de televisão, as pessoas aqui parecem gostar de ver DVDs com música marroquina, mais ou menos popular, mais ou menos pimba. O Mustapha e a Fatima são muito pimba. Tal como muitos outros grupos, sucumbiram ao virtuo-pirosismo do órgão, que tantas baixas provocou na música popular de tantos países.

Os DVDs que gosto mais de ver (Deus há-de castigar-me, não se preocupem) são uns muito foleiros, em que um cantor ou uma cantora actuam com a banda respectiva numa grande sala, com pessoas que parecem estar num bar ou numa festa, e quando a música começa as mulheres levantam-se e vão dançar. Têm geralmente um ar meio apático, excepto quando sorriem umas para as outras. Tal como a vocalista, vestem-se geralmente à ocidental: tailleurs de xadrez, calças de ganga e t-shirts de manga cavada, casacos de cabedal a três quartos, uma mistura de estilos para todos os gostos. Algumas pintam o cabelo de um louro Ruth Marlene.

Nunca dá para perceber se faz frio ou calor, porque as indumentárias não batem certo umas com as outras. A cantora está sempre muito maquilhada e faz uma espécie de tril ao cantar, efeito muito comum e apreciado por estas bandas. Mas a mim dá-me a sensação de que aquele tril, nos pimbas, é feito pela produção, e que não é mesmo a voz da vocalista.

Coisa mais simpática, geralmente pouco ou nada pimba, são os músicos que se fazem acompanhar de um grupo de dançarinas profissionais, vestidas tradicionalmente. As raparigas dançam bem (a tal dança da anquinha frenética com cinto de lantejoulas), embora às vezes também tenham algum ar de fastio, sobretudo quando no meio da dança se põem a ajeitar a cintura do vestido ou a coçar a orelha. Algumas são bem robustas, e tão graciosas a dançar como as outras, mais magras. Aliás, em qualquer destes DVDs a maioria das mulheres tem mais uns 5 ou 10 kg que aquelas que se vêm na Europa e América - e nunca é demais agradecer a Deus por ainda haver sítios onde se pode pesar mais de 55 quilos. O grande momento destas danças é quando elas se passam: soltam o cabelo, que quase sempre chega à cintura, e começam - imagine-se! - a fazer mosh. Um mosh autêntico, em que atiram o cabelo de um lado para o outro, para a frente e para trás, juntamente com o tronco. Algumas, mais elaboradas, acabam a dança com uma sessão de cambalhotas. Da primeira vez que vi pensei que estavam a gozar, mas não. Vou procurar uns DVDs destes para levar para Portugal. Também gostava de levar um outro, o da conversa telefónica.

Nesse vê-se um homem numa sala, e depois uma mulher num jardim, vestidos tradicionalmente; e de repente aparece um telemóvel a vibrar em cima de uma mesa, e a mexer-se sozinho por causa da vibração. E eu não posso rir-me, não vá alguém ofender-se.


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