brasileirinho - choro despretensioso


 Musica Cinema Filme Brasileirinho Mika Kaurismaki Choro

O filme "Brasileirinho", título de uma música de Waldir Azevedo, é uma abordagem despretensiosa do choro e das suas diversas vertentes que, mais do que contar a história do choro ou mostrar a passerele dos grandes mestres, propõe-se revelar a reverência dos jovens músicos pelos mais antigos, as relações de convivência dentro das rodas de choro e revelar como esta forma de sentir a música, então confinada aos redutos de chorões, conquistou, a partir do renascimento da Lapa, o seu espaço nas oficinas de choro.

E, curiosamente, apesar de ter sido realizado, e bem, por um gringo, não é filme de gringo não.

Em 1988 o cineasta finlandês Mika Kaurismäki veio ao Brasil por uma semana para o lançamento do filme "Helsinque - Nápoles (All night long)" no Festival do Rio. Apaixonou-se tanto pela cidade que comprou uma casa em Santa Teresa e iniciou uma história de amor com a música brasileira. Em 2001 percorreu quatro mil quilómetros pelo país para realizar o documentário "Moro no Brasil" e hoje presenteia-nos com o seu olhar sobre uma arte brasileira secular que parece querer, definitivamente, quebrar as amarras da clausura.

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O filme "Brasileirinho" é um retrato feliz de um momento especial da música brasileira, quando o choro ganhou uma dimensão nunca antes alcançada, e parte de um enredo simples: o Trio Madeira Brasil organizando um show comemorativo do Dia Nacional do Choro, no Teatro Municipal de Niterói. O Trio Madeira Brasil acabou por ser o condutor e o anfitrião deste projecto que teve em Marcello Gonçalves, um dos músicos do trio, que ainda conta com Zé Paulo Becker e Ronaldo do Bandolim, o seu director musical.

Mika Kaurismäki parte de depoimentos de músicos para mostrar o universo da Escola Portátil de Música, criada por alguns dos melhores músicos cariocas, como Luciana Rabello, Pedro Amorim e Maurício Carrilho, dos bares da Lapa e das reuniões de chorões. No filme há também momentos únicos como Yamandú Costa tocando João Pernambuco e Ernesto Nazareth, Zezé Gonzaga interpretando "Falando de amor", de Tom Jobim, de Zé da Velha e Silvério Pontes, a menor big band do Mundo em "O bom filho à casa torna", de Bonfiglio de Oliveira, de Paulo Moura num baile na gafieira Estudantina, e momentos de puro deleite a cargo de Edson 7 Cordas, de Fred Dantas (trombone) e Joatan Nascimento (trompete), dos "Matutos", de Cordeiro e de Hamílton de Holanda.

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A não perder, o filme e a banda sonora em cd.


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