Como se faz um filme em Hollywood #1


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1. Western

Um desconhecido chega a Red City. Atravessa a rua principal a cavalo e pára em frente do Saloon. Entra lentamente e todos os olhares se dirigem para ele. É o novo xerife mas ninguém sabe senão ele e o realizador. Há um indivíduo de aspecto sinistro que o provoca mas ele ignora-o e quando o provoca novamente dá-lhe uma lição. Nesse momento todos ficam a saber quem ele é.

Daí a dois minutos a cantora do Saloon que é a noiva de Joe, o dono da espelunca, apaixona-se pelo novo xerife. Joe é na verdade o chefe de uma quadrilha de ladrões de gado e pouco depois é descoberto. Nessa altura agarra na rapariga como refém e foge com ela. Segue-se uma louca perseguição. O xerife toma um atalho e esconde-se atrás de um rochedo de onde salta para cima de Joe, derrubando-o do cavalo. Trava-se uma luta violenta em que o xerife é ferido no ombro mas, mesmo assim, consegue desarmar o bandido e a luta termina quando ele cai do rochedo abaixo e morre.

Pouco depois é a entrada triunfal na cidade onde acaba por casar com a rapariga. Depois de uma piada, uma frase moralista e uns tiros para o ar, desaparecem os dois a cavalo no horizonte com um pôr do sol, enquanto passa a música e o genérico do filme. I'm a poor lonesome cowboy bla bla bla...

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2. Biográfico

Escolhe-se um personagem célebre: estadista, pintor, cientista, qualquer um serve... O que interessa é arranjar um aspecto pouco conhecido mas que mostre o seu lado humano. O ideal é uma história de amor. Se o dito personagem foi celibatário e só tiver conhecido mulheres de vista, o departamento love story de Hollywood encarrega-se disso. Ah! É fundamental escolher para o papel principal um actor muito famoso, tipo Marlon Brando, Al Pacino, etc.

Depois cria-se a atmosfera da época num estúdio apropriado com guarda-roupa e adereços sofisticados. Esta parte é relativamente fácil. É preciso é cuidado nas cenas de exterior sobretudo se se tratar de um ambiente antigo para não aparecerem automóveis ou aviões, como no Ben-Hur. Se a malta da montagem estiver com atenção a coisa resolve-se.

O resto é mais fácil ainda. O ilustre biografado passa o filme todo a lutar para ver o seu talento reconhecido, o que só acontece mesmo no fim (julgam que os argumentistas são estúpidos?). É importante que das duas uma: ou ele fica a dever o sucesso à sua companheira, que sempre acreditou nele, ou tem de a deixar para ir em perseguição das suas ambições pessoais. O público aprecia muito qualquer um destes dois finais felizes.


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