
"Existem mais de 17 milhões de contentores de carga em todo o mundo, a maioria dos quais sem qualquer uso". Foi com esta afirmação que o grupo nova-iorquino LOT-EK apresentou em 2004 a sua proposta para um sistema modular de habitações denominado CHS - Container Housing System. Neste sistema, o contentor de 12 metros é tornado não apenas a unidade modular e espacial como também a base de toda uma nova estética entendida no seu sentido mais amplo: forma e significado. Uma arquitectura nova.
Esta proposta não surge por acaso. A ideia de módulo, associada à imagem do contentor, tem estado desde sempre presente nos projectos desenvolvidos pelo grupo, que vão da arquitectura residencial à comercial, passando pelo design, pela intervenção artística e pelo ensino. São os próprios que afirmam que usam como material de trabalho objectos, tecnologias e sistemas pré-fabricados, que não procuram criar mas sim (re)aproveitar o existente, que desejam reinventar as formas e configurações existentes.
Declaram, além de tudo o mais, que pretendem esbater as fronteiras entre arte, arquitectura, entretenimento e informação. Programa ambicioso e interessante que identifica claramente o divórcio entre várias áreas que deviam estar próximas, resultado da fragmentação que enferma a cultura ocidental contemporânea. As propostas do LOT-EK têm a grande virtude de utilizarem uma linguagem adequada ao contexto cultural a que se destinam; fazem, por isso, todo o sentido.
A capacidade de integração visual e semântica das suas propostas é espantosa e os contentores, longe de parecerem caixotes, diluem-se perfeitamente no contexto urbano. É, além disso, funcional, agradável, versátil e inovadora. Não é uma arquitectura contida; é uma arquitectura aberta.


CHK (Container Home Kit), 2006

Container Mall - Nova Iorque, 2003

Billboard Building - Nova Iorque


UNIQLO Container Stores - Nova Iorque, 2006

Woo Penthouse



MDU - Mobile Dweling Unit
A visita ao site recomenda-se vivamente, bem como um olhar bem demorado nas várias propostas; se possível, ver também os vídeos.
5 comentários
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Diana Mantovani
Caracoles!!! Amei essa matéria. Nunca que passaria em minha mente que algo utilizado apenas pra transporte de produtos, digo, q pensava ser a única utilidade poderia ser utilizados de formas tão variáveis, lindas, enfim, perfeito, adorei a idéia.
Valdir Carvalho
Queria saber sobre o calor que sera gerado dentro desta cx de metal e a reverberacao do som ao caminhar e ou bater nas "paredes"... e as aberturas? frente-fundos somente? Creio que as casas de PVC, seguindo o mesmo `estilo` resolveriam melhor o problema. O ferro nao aproveitado dos containers em desuso eh reciclavel.......
seven
A verdade, Valdir, é que os contentores são apenas um invólucro. Por dentro tudo é isolado. Depois os arquitectos conseguem jogar sabiamente com as aberturas frente/fundo e criar espaços com a iluminação adequada. Por vezes introduzem novas aberturas, se necessário. Essas soluções estão patentes nas imagens.
Obrigado pelo seu comentário e volte sempre
Leandro
Amei essa nove idéia...
Eu que faço Arquitetura amei de mais essa matéria sobre reaproveitar esse meio de transporte para casas e comércio...
Amei³
Cezar Lemos
A idéia de se usar contêineres fora de função para a construção de moradias e "prédios" é interessante pois cumpre várias funções.
Uma delas, agora em que o mundo se mobiliza para ajudar o Haiti depois do tremor que pôs o país ao chão, é o envio destes gigantes metálicos para aquele país para que o povo afetado pelo tremor tenha condições de ter um teto para morar que, mesmo na hipótese de haver outro tremor, não será implodido sobre a cabeça das pessoas.
Acredito que todos os países teriam a possibilidade de se mobilizar para esta causa que, muito mais que humanitária, resolveria vários problemas, vide a matéria publicada no site Go-To-Idee (http://www.go-to-idee.com.br/noticias/vermais/conteineres-viram-casas).
Boa noite!