marcel marceau, a genialidade da expressão dramática


 Marcel Marceau Teatro Mimica Mimo

O artista que elevou a mímica a uma forma de arte suprema, o poeta do silêncio que foi, após a Segunda Guerra Mundial, o artífice do renascimento da arte da pantomima, faleceu ontem. Considerado por muitos como o Picasso da Mímica, o universalismo da sua mensagem capaz de unir plateias separadas em tudo o resto, foi reconhecido pelas Nações Unidas que o elegeram em 2002 "Embaixador da Boa Vontade para o Envelhecimento".

Durante anos a fio, com uma sensibilidade tocante, a figura frágil e bela do arlequim denunciou tenazmente o comodismo, o egoísmo, a covardia, a mesquinhez, a miséria e a prepotência da espécie humana, elevando a mímica a patamares nunca antes atingidos, e erguendo bem alto a chama eterna e libertadora da expressão artística.

Nascido no dia 22 de Março de 1923, em Estrasburgo, no leste da França, a juventude de Marcel Mangel foi marcada pelo espectro da perseguição nazi, pelo assassinato do pai em Auschwitz e pela sua participação activa no Maquis francês, que reforçaram o seu carácter e lhe incutiram o desejo de desenvolver um trabalho capaz de contribuir para a criação de um mundo melhor, quando, aos 23 anos, entrou na Escola de Arte Dramática de Charles Dullin.

A Companhia Marcel Marceau, única no mundo na arte de fazer mímica durante os anos 50 e 60, apresentou-se nos principais teatros da França e do planeta, tendo trabalhado com nomes grandes do cinema como Roger Vadim em "Barbarella" (1968) e Mel Brooks en "La dernière folie" (1976).

 Marcel Marceau Teatro Mimica Mimo

Em 1947, já com sua própria companhia, e tomando como referência os grandes comediantes de cinema do mundo, como Chaplin - que ele imitava quando criança - e Keaton, criou o seu famoso personagem "Bip", que o acompanhou por toda a sua vida e que se tornou popular com seu rosto pintado de branco, calças largas de palhaço, camisa de marinheiro e uma expressividade corporal, frágil somente na aparência.

Actuou nas melhores salas de teatro um pouco por todo o globo e, em 1978 criou com seus próprios discípulos, após a falência da sua Companhia, a Escola Internacional de Mimodrama, na qual ensinava não apenas mímica como também dança e acrobacia. Em 1997 celebrou com grande êxito em Paris seus 50 anos de trabalho com o espectáculo "Pantomimes de Bip" e "Le chapeau melon". Mas não deixou de subir aos palcos e em 2000 organizou uma digressão com o espectáculo "Les premiers adieux de Bip" que teve uma continuação em 2002, "Le retour du mime Marceau" a que se seguiu uma nova digressão em 2005 pela América Latina com "Le meilleur de Marceau", que incluiu uma histórica representação em Cuba.

"A mímica é uma arte que hipnotiza. É uma linguagem universal, e assim como a música, não conhece fronteiras nem nacionalidades”, dizia ele. “Se a gargalhada e as lágrimas são características da humanidade, então todas as culturas estão mergulhadas na nossa arte”.

Bem Hajas Marceau !


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