retratos exteriores de diane arbus


 Diane Arbus Fotojornalismo Moma Nova Iorque Bizarro Harper's-Bazar Retratos

Uma reação imediata que vai do espanto ao fascínio, retornando num incômodo diante do improvável ou ainda do bizarro. Nas lentes de Diane Arbus, o encontro com o outro ganha aspectos desconcertantes; Nova-iorquina, nascida em março de 1923, os primeiros contatos de Arbus com a fotografia se deram através do marido Allan que repartia com ela as lições de captura que aprendera durante seus trabalhos no exército americano. Trabalharam juntos durante anos na área de propagandas, sendo Allan Arbus o fotógrafo e Diane sua assistente. Mas, numa expansão inevitável que já não lhe permitia mais permanecer no papel coadjuvante, Arbus foi tomar lições formais na Escola de Nova Iorque e, em 1959, estava separada de Allan; estudando fotografia sob a orientação de Alexey Brodovitch, diretor de arte da Harper's Bazar e de seu discípulo Richard Avedon. Mas o universo fashion não era sua prerrogativa; Arbus estava particularmente interessada nas intimidades anônimas.

Tudo que para nós é estranho é ao mesmo tempo familiar, diz um conceito de Freud. Diane Arbus, a partir do início dos anos 60, munida d'uma Rolleiflex, iniciava sua viagem de buscas e encontros desses estranhos familiares entre pessoas comuns, em seus cotidianos comuns, ainda que fossem tipos raros ou "freeks"; a exposição principal, a que de fato vai provocar o desconforto em seus trabalhos, é a da crueza dos detalhes mais secretos dos retratados. O bizarro é a revelação do segredo que ganha certos contornos inquietantes nos pretos&brancos quase mesmo macabros; provocam o diálogo entre nossos próprios e (des?)conhecidos segredos, os do retratado e os da fotógrafa.

Eles estão sempre estáticos, posando com olhos na câmera; há a exploração do mascarado, dos atos absurdos/corriqueiros, dos pequenos objetos... é teatral, factível, ao acaso, voyeur e exibicionista, tudo ao mesmo tempo, em retratos exteriores que gravitam em torno do questionamento sobre a consistência das identidades individuais e de grupo. Tinha ainda profundo interesse pelos considerados bizarros, como mutilados, prostitutas, gêmeos siameses, anões e travestis... dizia que lhes provocavam fascínio e vergonha, reconhecia neles uma dignidade ímpar: a maioria das pessoas passam a vida temendo uma experiência traumática. Os "freeks" nasceram banhados pelo trauma. Com isso passaram no teste da vida. São aristocratas.

Em Julho de 1971, apenas sete anos depois de sua primeira exposição no Museu de Arte Moderna, a artista suicidou-se ingerindo barbitúricos e cortando os pulsos. Em 1972 sua obra foi consagrada na Bienal de Veneza e seu legado do imaginário humano revolucionou a fotografia moderna nessa busca passional de si no outro.

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Priscilla santos

é adoradora de cervejas e colabora com a obvious.
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