hapiness is a warm gun: os mapas da qualidade de vida planetária


 Planeta Felicidade Bem Estar Subjectivo Qualidade Vida Hapiness Subjectiv Weel Being Map World Colour Coded HPI Adrian White NEF Planet Database

A subjectividade dos indicadores de qualidade de vida e dos critérios que presidem à sua escolha para elaborar um diagnóstico de situação da felicidade à escala planetária, produzem resultados assaz díspares, que são a prova provada da profunda subjectividade com que encaramos o que é realmente importante para a nossa felicidade e da facilidade com que, com algum engenho e arte, o tratamento e apresentação destes indicadores, privilegiando os critérios que melhor servem os propósitos de quem os manipula, pode influenciar a opinião pública.

Adrian G. White investigador em Psicologia da University of Leicester concebeu o Worl Map of Happiness cruzando um número significativo de dados e de estudos realizados por todo o mundo: a meta-análise realizada em 2006 para a NEF por Nic Marks, Andrew Simms, Sam Thompson e Saamah Abdallah, e os dados fornecidos pela UNESCO, UDR e CIA Factbook. White considerou no estudo 178 países, o dobro dos analisados por Ruut Veenhoven na World Database of Happiness e deu prioridade a critérios socioeconómicos como a esperança de vida, o acesso à educação e o PIB "per capita".

Não causa estranheza pois que com estes critérios figurem entre os dez primeiros países da lista seis da Europa Ocidental e desses seis quatro sejam países nórdicos reputados pelos sistemas de protecção social avançado que possuem: o primeiro lugar pertence à Dinamarca, seguida pela Suíça, Áustria, Islândia, Bahamas, Finlândia e Suécia, com o Butão e o Brunei a ocuparem respectivamente a 8ª e a 9ª posições, e os USA a aparecerem em 23º lugar. Portugal está situado no 92º lugar do ranking e o Brasil ocupa o 81º posto, encravado entre a China e o Uzebequistão.

 Planeta Felicidade Bem Estar Subjectivo Qualidade Vida Hapiness Subjectiv Weel Being Map World Colour Coded HPI Adrian White NEF Planet Database Mapa Interactivo World Colour-Coded by HPI

A New Economics Foundation (NEF), um "think tank" britânico de reflexão sobre a economia e o bem-estar, e a ONG Friends of the Earth, produziram o World Colour-Coded HPI, baseado no Happy Planet Index (HPI) elaborado a partir de três parâmetros que privilegiam os países que exercem menor pressão sobre o ambiente: satisfação com a vida, esperança de vida e "pegada ecológica", que mede o impacto das actividades humanas sobre o ambiente e avalia a superfície de que a população do país necessita para produzir o que consome e absorver os resíduos que produz. Para este mapa foi considerada como fonte exclusiva a mesma meta-análise utilizada por White na elaboração do Worl Map of Happiness.

Considerados estes critérios é curioso notar que no topo da lista desta classificação se encontrem países como o Vanuatu, a Colômbia, Cuba, Guatemala e São Salvador, estando os países ricos relegados para a cauda da lista, com Portugal a surgir na 136ª posição e o Brasil no 63º lugar no ranking de 178 países.

Estes estudos e as suas implicações colocam em definitivo interrogações muito sérias à nossa conceptualização de desenvolvimento e qualidade de vida, longamente minada pela sociedade do espectáculo e do consumo, e ás consequentes opções que urge tomar à escala planetária para implementar uma política de desenvolvimento e distribuição de riqueza mais sustentada e mais equitativa, ainda que o direito individual à diferença, incluindo o inalienável direito de recusa da felicidade por quem a entenda rejeitar, tenha em absoluto que ser respeitado.

À Humanidade não resta mesmo outra hipótese que não seja a de alterar drástica e rapidamente o seu oneroso, inconsistente e insustentável modo de encarar a sua permanência sobre este planeta, caso pretenda prolongar no tempo a sua existência sem escaqueirar o único suporte físico que possui: o planeta.


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