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déjà vu: o bug cerebral

publicado em recortes por jr | 15 comentários

 Deja Vu Paramnesia Emile Boirac Fabrice Bartolomei Leeds Memory Group Alan Brown

Dura somente umas fracções de segundo, traduz-se por uma estranha impressão de já ter vivenciado a cena presente e mesmo saber o que se vai passar em seguida, ainda que a situação que esteja a ser vivida seja inédita. O déjà vu, ou paramnesia como também é conhecido, tem sido ao longo dos anos objecto das mais díspares tentativas de interpretação, mas para nós, comuns mortais, continua a ser um quebra-cabeças inexplicável.

Émile Boirac, filósofo, cientista e esperantista francês, profundamente interessado em pesquisas na área da parapsicologia, deu o nome, em 1876, a este fenómeno curioso que durante anos foi considerado como sendo uma reminiscência de vidas passadas, prova segundo alguns, da existência de reencarnação.

Sigmund Freud dava-lhe outra explicação: as cenas familiares seriam visualizadas nos sonhos e depois esquecidas e, segundo ele, eram resultado de desejos reprimidos ou de memórias relacionadas com experiências traumáticas. Outra das explicações propostas fazia depender o fenómeno de uma similitude entre elementos da cena vivenciada e elementos de outras passadas mediada por um fenómeno emocional.

Ao longo dos tempos a vastíssima Ciência Médica foi avançando diversos cenários para o fenómeno e hoje os progressos nas Neurociências fazem emergir várias hipóteses: uma decalage no encaminhamento das percepções por diferentes vias nervosas que leva a que a informação retardada não seja considerada pelo cérebro como “nova”, é uma delas.

A forma como o cérebro memoriza uma informação, colocando-a directamente na memória a longo prazo sem passar primeiro pela memória a curto prazo, podendo fazê-la parecer uma recordação longínqua em vez de uma informação do presente, é outra das teorias propostas para o fenómeno.

Fabrice Bartolomei, Neurologista francês, vem agora propor uma explicação diferente que começa a tornar-se consensual nos meios científicos: o “déjà vu” será resultado de uma fugaz disfunção da zona do cortex entorrinal, situado por baixo do hipocampo e que se sabia já implicada em situações de “déjà vu” comuns em doentes padecendo de epilepsia temporal.

 Deja Vu Paramnesia Emile Boirac Fabrice Bartolomei Leeds Memory Group Alan Brown

Experiências de estimulação do córtex entorrinal com recurso a eléctrodos demonstram que as pessoas submetidas a esta estimulação sofrem sensações de familiaridade com tudo o que os rodeia em 11% dos casos, contra 2% nas pessoas em que somente as zonas vizinhas do córtex entorrinal são estimuladas. Testes realizados com macacos, evidenciando a activação do córtex entorrinal em situações de descoberta de um novo elemento num conjunto, parecem também apoiar a teoria da existência desse “bug” cerebral.

 Deja Vu Paramnesia Emile Boirac Fabrice Bartolomei Leeds Memory Group Alan Brown

Experiências conduzidas por investigadores do Leeds Memory Group permitiram recriar em laboratório e com recurso à hipnose sensações de "déjà vu", no que parece constituir uma nova base de trabalho para o esclarecimento do fenómeno que mereceu de Alan S. Brown, reputado investigador e autor de pesquisas nesta área da Southern Methodist University, comentários muito positivos.

Outros dados apontam para que situações de stress ou fadiga possam favorecer, neste contexto disfuncional, o aparecimento do fenómeno, mas a causa precisa deste “curto-circuito” cerebral permanece ainda desconhecida. Até lá, até que as Neurociências venham fazer definitivamente luz sobre o assunto, vamos gerindo com uma pontinha de estupefacção e de incredulidade os nossos “Esta cena parece-me familiar. Mas onde raio é que eu já vi isto?

Bugs Felizes.

jr
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15 comentários

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Enfim alguém explicou parte dos "bugs" cientificamente pra mim. Tenho bugs...hummmmm;)
Sempre acreditei um pouco mais na linha freudiana (era a mais sensata, diz uma economista :-) ), mas adorei essa visão neurológica!
Ah, e parabéns pela "casa nova". Se já era dependente do Obvious (que não leia a Dina), agora tanto mais!

bjs daqui.....


PS: Em tempo, NUNCA tive problemas com os meus comentários no Obvious :-)

Ícaro.182

Não sou especialista em nada, mas tenho opinião:
Acredito, como Freud, que as pessoas têm desejos e ânsias que são rebatidas incessantemente pela nossa mente (conscientemente ou não), de tanto rebatê-las criam-se conjuntos de situações "prováveis" que às vezes, de fato, acontecem. Ademais, os detalhes mais minuciosos são moldados pela mente a fim de deixar tudo *familiar*.
Digamos: estava pensando em uma garota incessantemente. Em sonhos, em pensamentos tudo convergia a ela. Como tinha uma festa que *sabia* que ela também iria comecei a imaginar, em sonhos, o melhor jeito de me aproximar dela e coisas do gênero, afinal, tenho 15 anos. No dia da festa acorreu tudo *igual* ao que eu tinha imaginado, até coisas improváveis como cores de vestidos e acontecimentos inusitados.
Acredito que esses acontecimentos inusitados não foram previstos como eu acreditei inicialmente, mas sim *impostos* pelo meu próprio raciocínio o qual me *forçou* a aceita-los como se já tivessem sido previstos. Eu não imaginei a cena e os detalhes *inimagináveis* apenas ao vivenciá-los os enquadrei, inconscientemente, na cena. O que causou impressão de já tê-los vivenciado.

seven

Essa é uma das teorias, Ícaro. Obrigado por comentar e volte sempre

franz stockler

dificil será convencer os espiritas do contrário.

Carolina Oliveira

Interessantíssimo o artigo, mas creio que a neurologia ainda tem muuuito o que pesquisar sobre esses fenômenos. Mas isso já nos livra de uma porção de superstições acerca do assunto. Obrigada pela explicação.

shingo yabuki

o dia que freud coinseguir explicar como que eu sonho com coisa que ainda não aconteceu eu começo a respeitar ele
dos campos da medicina o mais inútil que existe com certeza é o da neurologia, isso pq medicina já não consegue nem ser algo exato ainda
aposto "10zao" q daki 3 meses vai ter outro neurocientista fodão dando outra explicação sobre a mesma "verdade"

Flávio Costa

Excelente matéria. Dos campos da Medicina um dos mais úteis e fascinantes atualmente é o da Neurociência, que avança a passos largos.
podemos dizer que a Ciência vive em busca da "Verdade", mas sabe que ela não existe, e por isso o conhecimento avança, movido pelo questionamento constante. Só as religiões acham que verdades imutáveis existem (dogmas), daí o evidente atraso de vida que elas divulgam.

Deivid Rothen

eu acredito que seja uma união do bug cerebral com a versão do ícaro, q eu tbm ja tinha pensado nessa verção, mas ja notei que somente tenho deja vus quandoestou usando meus cinco sentidos, visão, audição, tato, paladar e olfato. ai parece q da uma sobrecarga no meu cerebro, sendo q minha memória naum consegue armazenar todas as informações, dae me vem a sensação de dejá vu, essa acho eu q pode ser uma teoria, tentem notar quando acontecer algum dejá vu com vcs, o q vcs estão fazendo.

guilherme melgaço

será que o fato do cérebro buscar informações no futuro para utiliza-las no presente pode responder ao fenômeno, tenho informações na disciplina de "física para mente " onde este fato foi comprovado onde toda a turma pode ver como realmente aconteceu, e eu também estava presente, foi algo incrível, mas é a mais pura realidade.

revejo-me totalmente no que o Icaro disse, eu prório já tive umas "previsoes" que se confirmaram ou apenas deja vus, não sei bem o que são mas a explicação do que eu vi ser visto no presente e rotulado como passado não me convence muito

Luís Felipe Virgulino da Silva

PessOal me ajUdem tenhO 13 anOs e estOU tendO DejavÚ sempre, freqUentemente eU vivenciO algO ki ja vi em meUs sOnhOs, Oq devO fazer? estOU mUito assUstadO e-mail: feeh_lype89@hotmail.com

Obg

carina

tenho as vezes dejavú e nao tenho nenhum tipo dessas doenças,e ai qual a esplicaçao?

Eu já não consigo é acreditar na linha freudiana, parece muito simplista para algo que vem a tanto tempo sendo pesquisado, enquanto a ciência não decifra a resposta (não que a resposta da ciência seja absoluta) prefiro o lado romântico do espiritismo.

Já conhecia todas essas hipóteses sobre o dèja-vu, mas nenhuma delas explica os dèja-vus que tenho (inclusive com grande frequência). Eu de fato vivo a mesma cena duas vezes, e, às, vezes, a mesma cena ocorre três ou mais vezes. Não se trata de ter a IMPRESSÃO de já ter vivido uma cena, mas REVIVER DE FATO a mesma cena. Isso inclui não apenas a visão e a audição, mas o pensamento. Sempre o mesmo pensamento e as mesmas sensações ao mesmo tempo.
É talvez o único fenômeno inexplicável que eu próprio nunca consegui pensar em uma hipótese para explicá-lo.

pedro

RE: Pois, mas é isso mesmo que chamam deja vu!

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