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Resultante de vários anos de conflito, Angola é dos países mais minados do mundo, com cerca de seis milhões de minas ainda por detonar. Estes engenhos matam mais de 10 pessoas por dia e mutilaram já cerca de 70.000 cidadãos, impedindo todo um povo de recomeçar a sua vida com normalidade. Para apoiar estas vítimas o artista Norueguês Morten Traavik surge com um concurso de beleza.

Morten Traavik visitou diversos centros de reabilitação no passado mês de Fevereiro, procurando candidatas a Miss Landmine sob o slogan "Todos temos direito a ser belos". Traavik chama ao projecto uma mistura de arte e missão humanitária recebendo já um subsídio avultado do Conselho de Arte norueguês.

No manifesto de imprensa, Morten Traavik chama atenção para diversos objectivos desta iniciativa, nomeadamente a chamada de atenção local e global para o problema das minas terrestres, questionar os conceitos pré-estabelecidos de perfeição física, celebrar a beleza verdadeira e substituir o termo "vítima" por "sobrevivente".

Vários bloggers já se manifestaram sobre o assunto, acusando Traavik de explorar as mulheres africanas de uma forma repulsiva. Alguns disseram ainda que o dinheiro angariado para o concurso poderia ter sido utilizado de outra forma, fornecendo benefícios que permitissem alguma qualidade de vida e autonomia às vítimas.

Independentemente dos objectivos da iniciativa, não sei até que ponto serão essas as verdadeiras intenções dos organizadores. Infelizmente, mais vezes do que desejado, apoiam-se causas nobres de forte impacto social somente para fins de auto promoção. Correndo o risco de ser injusto, parece-me que esta é mais uma.

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Mais informações no site do concurso, cuja introdução muito pouco própria, abre com um trecho da Zarathustra de Strauss. Será isto uma odisseia?


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