
No filme de William Wyler de 1953 Roman Holiday Gregory Peck e Audrey Hepburn viajam por Roma num curioso veículo de ruído peculiar, semelhante ao zumbido de um insecto voador. O motociclo era uma scooter mas não uma qualquer: era uma Vespa.
O conceito scooter é de origem americana e remonta aos anos da Segunda Grande Guerra. Surgiu com o fim de agilizar o movimento de tropas, fazendo-as penetrar em território inimigo, nomeadamente para acções de sabotagem. Finda a guerra, Enrico Piaggio, proprietário da fábrica com o mesmo nome, pegou na ideia e resolveu adaptá-la a outras funções. Pretendia um velocípede simples e robusto, fácil de pilotar, que pudesse transportar comodamente duas pessoas ao abrigo do vento e dos salpicos da lama.

Os modelos MP5 e MP6
O primeiro protótipo, o MP5, surgiu em 1946 e foi ternamente baptizado pelos operários da fábrica como Paperino - o nome italiano do pato Donald! Mas Piaggio não estava satisfeito com o design do protótipo e contratou o ex-designer aeronáutico Corradino D'Ascanio para que o reformulasse. O novo modelo, o MP6, diferia substancialmente do anterior, com o motor sobre a roda traseira e uma caixa de velocidades no guiador. Quando Piaggio ouviu o barulho do motor exclamou: Parece uma vespa! E o nome permaneceu...
Tal como os pequenos carros do pós-guerra a Vespa destinava-se a uma população sem grande poder de compra que necessitava de um meio de transporte barato e versátil para o seu dia a dia. Mas, enquanto quase todos tiveram uma vida efémera, o pequeno velocípede conheceu um sucesso imediato e uma expansão meteórica. Tornou-se sinónimo de liberdade, mobilidade e de um novo estilo de vida informal e descontraído. Ao volante de uma Vespa esquecia-se as as agruras da guerra, a recessão económica, os problemas sociais...
Poucos objectos houve até hoje que exprimissem com tanta propriedade o espírito de uma época ou a personalidade do seu utilizador. É esta característica que a torna intemporal: foi o meio de transporte de estudantes franceses de Maio de 68, de meninos playboys do sul de Itália ou da malta da swinging London, e ainda hoje - após 17 milhões de exemplares vendidos - continua versátil e actual, cruzando as ruas das cidades de todo o mundo.

A Vespa Classic
No cinema a Vespa desempenhou papeis de relevo em grandes filmes e ombreou com os melhores actores. Roman Holiday, de que acima se falou, foi um deles. No inesquecível La dolce vita, realizado por Federico Fellini em 1960, Marcelo Mastroianni elevou-a ao estatuto de ícone e, mais recentemente, Nanni Moretti no seu filme Caro diario percorre as ruas de Roma ao volante do famoso motociclo. Mas há muitos mais...

A Vespa 125, de 1949

A Vespa Montherly, de 1950

A Vespa Siluro, de 1951

A Vespa Alpha, do filme You only live twice, de 1967

A vespa... :)
Para saber mais sobre a Vespa: aqui e aqui
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comments powered by DisqusSandra Leite
O "gato" do meu pai usou uma dessas pra conquistar a "gata" da minha mãe,acredita?
Ele diz que fazia parte da "Arte da Guerra" da sedução :)
E deu certo! Maravilhosa vespa!!!
Keila Vieira
Realmente Vespas são eternas..adoro a cena clichê em que a noiva monta na garupa do noivo ou em fuga na garupa de um rapaz e vai segurando a grinalda.
Marcio
Eu que uma dessas, difícil é achar uma em boas condições.
A Vespa é muito legal, sinonimo de liberdade!
Abs!
Luís Bonifácio
Outra famosa utilizadora da Vespa - Princesa Paola Ruffo di Calabria, hoje Rainha da Bélgica.
DANILO JOSE MARTINS
ESTOU REFORMANDO UMA M4 1960,SO ME FALTA O MOTOR.ALGUEM PODE AJUDAR-ME A ENCONTRAR?