Nick Drake: 1972, Pink Moon



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É conhecida a história de que, em 1971, ao terminar de gravar o álbum Pink Moon, Nick Drake teria ido à gravadora Island Records e deixado as fitas mestras sobre a mesa de uma recepcionista sem dizer coisa alguma a ninguém. O álbum ficou lá ignorado pelos dias até a semana seguinte, quando alguém o notou. Depois de lançado, venderia ainda menos que o pouco vendido disco anterior, e isso Drake não podia suportar.

Não é possível compreender Pink Moon sem visitar os tortuosos caminhos que levaram seu artista até ali. Em 1970, Chris Blackwell, dono e fundador da Island Record, bem como todos os demais executivos envolvidos, estavam certos de que Nick iria lançar-se com o mínimo de esforço na promoção do álbum anterior, o Bryter Layter, que parecia promissor. Mas, ao invés disso, no inverno, o jovem inglês resolveu isolar-se em Londres; recusava-se simplesmente. A má recepção que público e crítica deram ao disco, certamente contribuíram para que, a esse isolamento, se juntasse uma exorbitante quantidade de maconha a que ele recorria urgentemente para poder fazer até pequenas apresentações sem compromisso. Exibia suas primeiras reações marcadamente psicóticas, queixava-se de insônia e estava cada vez mais deprimido.

Parece razoável imaginarmos os motivos que levaram Blackwell a emprestar sua casa de veraneio na Espanha para que Nick pudesse descansar e, talvez, voltar sentindo-se melhor. De fato, foi o que aconteceu e Nick não voltava apenas melhor, voltava com idéias de gravar um novo álbum. Mas a notícia já era um tanto inesperada para o executivo da gravadora porque, como arriscar-se a ter outro prejuízo? Mas, diante da insistência, a Island Records se comprometeu a lançar mais um álbum.

Nick Drake gravara Pink Moon em dois dias - duas sessões à meia noite em Outubro de 1971 - somente em sua própria companhia: composições, voz, instrumento, engenharia... O violão, primordialmente, e um piano que paira sobre uma única faixa. O engenheiro de som John Wood, que havia trabalhado com Nick nos álbuns anteriores, conta que “ele, definitivamente queria ser ele mesmo mais do que tudo. E pensou, do mesmo modo, que Pink Moon fosse mais Nick Drake do que os outros dois discos". Mas, ainda que recebesse crítica favorável da mídia, Pink Moon conseguiu vender tanto menos que os álbuns predecessores. Connor McKnight, da Zigzag Magazine escreveu: Nick Drake é um artista que nunca finge. O disco não faz concessões à teoria de que a musica deve ser uma forma de escape. É simplesmente a visão de um músico sobre a vida em seu tempo, e não se pode pedir por mais que isso. A ilustração da capa ficou por conta do namorado de sua irmã Gabrielle, Michael Trevithick.

O álbum passa como um caminhar onírico pela beleza da miséria, dum pessimismo bem desenhado e de melodias agoniantemente tranqüilas. A faixa título é das mais doces que se pode ouvir e os fãs são uníssonos em elegê-la como favorita. Seguindo sempre o mesmo ritmo intimista do formato folk, voz e violão em canções curtas, Drake exprimiu seu momento triste sem soar piegas ou exagerado. Há os tons ácidos como em Things Behind the Sun e Pink Moon, outros nostálgicos e reflexivos como em Place to Be, contemplativos como em Road e Parasite. Também há, como nunca se pode deixar de haver, amores e dúvidas do amar, como em Which Will. A última faixa redentora: From the Morning.

Mais uma vez, a promoção que deveria ter se seguido ao lançamento do álbum, não ocorreu. O músico se tornava ainda mais introspectivo e se apresentava nos concertos sempre de cabeça baixa, alguns relatam que ele tornara-se incapaz de fazer contato visual. Resolveu num repente retirar-se de música, dizia-se incapaz de escrever e passou a considerar uma carreira na área de computação ou como um indiferente no exército.

Dois anos e mais um álbum de pequena expressão depois, no 25 de Novembro, Drake estaria morto em sua casa, em Far Leys, após uma overdose de antidepressivos.

O álbum só obteve êxito após à morte de seu criador. Em 2003 a Volkswagen usou a música título num de seus comerciais americanos e o que se seguiu foi uma grande procura pelo disco que havia sido remasterizado. Três anos depois, Pink Moon figurou em 320º lugar numa lista da Rolling Stone que elegeu os 500 maiores discos de todos os tempos. Ultimamente, têm circulado na Internet vídeos, como este abaixo, reunindo imagens de Nick Drake que, muito delicadamente, justapõem-se com algumas canções.

priscilla santos

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