O sniper de Targuist


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Foi uma das grandes sensações do ano, em Marrocos, a par das eleições legislativas - e, no caso destas, o que mais deu que falar foi a abstenção de cerca de 70 por cento. Um rapaz marroquino filmou com uma webcam e depois colocou no YouTube um vídeo em que se vêem polícias corruptos a aceitar subornos dos condutores. Rapidamente ultrapassou a centena de milhar de visualizações. E mais vídeos se seguiram.

A prática é mais que comum no pais. Não só com a polícia, mas, como em tantos outros sítios no mundo, com os funcionários administrativos e empregados de tudo e mais alguma coisa. Ainda recentemente, a propósito dos confrontos entre os adeptos dos dois grandes clubes de futebol de Casablanca, que resultaram em um morto por atropelamento e dezenas de autocarros e automóveis destruídos, li num jornal que o estádio, com capacidade para 40 mil espectadores, tinha recebido 70 mil - entre outras coisas porque basta passar alguns dirhams para as mãos do funcionário que controla as entradas para se assistir ao jogo.

O sniper de Targuist, como é conhecido, conseguiu um feito. Os vídeos já foram tema de capa de jornais e revistas; houve reacções oficiais; os polícias identificados nas imagens foram castigados. Mas isso não chegou para abalar essa instituição que é a corrupção generalizada. A revista semanal Telquel publicou recentemente uma reportagem sobre o caso, na qual se diz que o sniper de Targuist é, neste momento, após três vídeos publicados, já não um único indivíduo, mas um pequeno comando organizado que promete continuar.

Targuist, uma terriola pobre de que até agora ninguém falava, que fica numa zona do norte conhecida como centro produtor de droga, onde as máfias agem impunemente e tomam chá com a polícia, está agora nas bocas do mundo.

A paragem dos condutores e a passagem do dinheiro lembram muito o funcionamento de uma portagem - sobretudo pela naturalidade dos gestos. Os comentários ao vídeo deixam adivinhar os sentimentos daqueles que, vivendo numa zona rural e pobre, se sentem roubados até pelas autoridades. Ataques ao rei, ao ministro da justiça, comentários de ódio aos árabes maus versus os berberes bons - encontra-se de tudo.


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