uma biografia musical de Robert Johnson


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O inusitado transporte do Delta do Mississipi para o Nordeste brasileiro gerou um épico com ares de cordel na inspiração do poeta Bráulio Tavares, no repente de Sebastião da Silva e na melodia muito certeira do gaiteiro Flávio Guimarães; capturam uma nova nuance do blues que deixa à mostra as inúmeras estampas e influências que fazem da música brasileira uma harmonia global. Na surpreendentemente óbvia fusão, se nos descortina a Balada de Robert Johnson, e a trajetória de um dos maiores músicos do século XX contada e cantada.

Robert Leroy Johnson nasceu no condado de Hazlehurst, no Mississipi, provavelmente no ano de 1911 - há divergências quanto à data correta já que algumas certidões apontariam também para os anos de 1909 e 1912 - e foi um dos membros de maior destaque do grupo itinerante Delta Blues de harmonia formada por voz, violão, gaita e muitos lamentos tristes.

Filho de pai desconhecido, sua família contava com a mãe e mais dez irmãos; Johnson era neto escravos trabalhadores das fazendas de algodão do Sul dos Estados Unidos e dizem que era analfabeto, entre a gaita de Guimarães, conhecemos que ele "escreveu com uma viola". Mas nada disso viria importar muito quando se contassem suas histórias; o ponto coincidente em todas elas, o mais exultado e lendário, diz que Robert Johnson teria feito um pacto com o demônio na encruzilhada das rodovias 61 e 49 em Clarksdale: vendia sua alma em troca do talento de tocar o violão e de empunhar as palavras com poesia.

O grupo de artistas do Mississipi Delta Blues percorreu os estados sulistas em grupos e duplas variadas, podendo também o artista apresentarem-se sozinhos, gravando composições e apresentando-as fosse no Arkansas, na Louisiana, Texas, Tennessee e, eventualmente, Chicago e Detroit. Nele estavam os pioneiros deste estilo musical, semi-deuses diabólicos como Howlin' Wolf, Muddy Waters e John Lee Hooker.

A despeito da pobreza franciscana e dos muitos litros de etílicos, Robert Johnson sempre apresentou-se metido em paletó e gravata, sempre alinhado e, talvez por isso, fosse um conhecido conquistador; em sua balada, Bráulio Tavares conta que ele sempre preferiu as mulheres feias, ainda mais as viúvas e casadas.

Ao que tudo indica, a paixão por uma dessas mulheres o levou à desgraça final; em 1938, Johnson bebeu uma dose whisky envenenada com stricnina por um marido ciumento. Teria se recuperado do atentado, mas acabou morrendo três dias depois, no 16 de Agosto, tendo contraído uma pneumonia galopante.

Sam Whitney - seu outro nome artístico - gravou somente 29 canções que possuem, infelizmente, uma qualidade sonora bastante precária. Este fato é, porém, insuficiente para que se ponha em dúvida sua genialidade musical e a força que a padronização do formato 12 compassos do Delta Blues representa para o estilo.

A balada de Robert Johnson vem sendo considerada a obra prima de Flávio Guimarães e é a sexta faixa de seu álbum Navegaita. A canção que nos serve de entrada para conhecer e/ou admirar ainda mais as reuniões musicais que Guimarães forja em seus papéis de arregimentador e produtor. Temos aberta uma janela fantástica onde a geografia e o tempo parecem estar anulados; os dois universos ficam íntimos e a figura de Johnson vem pairar como se fosse de cá, de lá e de sempre.

Abaixo, o lindo vídeo produzido por Flávio Guimarães para a canção do poeta atormentado cujo mundo não era muito diferente do mundo deste sertão.


Priscilla santos

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