A arte de acocorar ou o que fazer quando não há wc


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Pode parecer um tema inapropriado para esta época do ano mas gostava que encarassem este post como um presente de Natal verdadeiramente útil. Já pensaram no que fariam se, após ser acometidos por uma súbita cólica intestinal, descobrissem que não existe nenhum WC nas redondezas? Para um ocidental como nós, esta é uma visão de horror. Eis, pois, alguns conselhos preciosos.

O hábito de usar sanitas onde nos sentamos confortavelmente é uma aquisição recente na cultura ocidental, ainda assim mais antiga do que a descarga de água ou do que o próprio papel higiénico, este último uma invenção com cerca de 100 anos. O que se sempre se praticou foi o acocoramento e, em vez do papel, usou-se palha, folhas de plantas, areia e outras soluções mais ou menos ortodoxas e criativas. Ainda hoje na maior parte do planeta se recorre ao acocoramento. Papel higiénico nem vê-lo.

Para o viajante amante da aventura, esta realidade tem tanto de excitante como de dramático e pode levá-lo a limitar as suas incursões exploratórias a um raio de 50 metros do hotel. Mesmo assim, muitos hotéis da Ásia e África não possuem uma sanita convencional e sim aquilo que se chama uma "sanita turca" ou "vaso turco", respectivamente em Portugal e no Brasil. Assim, caro viajante, na impossibilidade de transportar sempre consigo um WC portátil, o melhor é aprender algumas regras básicas que lhe permitam encarar com confiança as suas deslocações.

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Para começar, assumamos este princípio: um WC nunca tem uma sanita nem papel higiénico e sim um buraco no chão com um balde de água ao lado (deste modo, estaremos sempre preparados para o pior e pode até dar-se o caso de termos uma agradável surpresa). Como fazer, então? É o que passamos a explicar detalhadamente. As almas mais sensíveis não devem ler o texto que se segue.

Basicamente a operação consiste no seguinte: depois de fazermos as necessidades limpamos o ânus com a mão esquerda e água. No fim lavamos as mãos, claro. Deve ser esta a origem do aperto de mão ser dado sempre com a mão direita, suponho eu.

Enquanto não se torna um pro do acocoramento é necessário praticar muito lá em casa. Para isso recomendamos que retire tudo o que se encontra da cintura para baixo: calças, cuecas, meias, etc. Só atrapalham e podem sujar-se sem necessidade. Feito isto, coloquemo-nos de cócoras e pratiquemos. Há quem prefira ficar em bicos dos pés enquanto outros apoiam resolutamente todo o pé no chão; ambas as técnicas servem. Note-se que esta posição é favorável quer compressão dos tecidos abdominais, quer à abertura do orifício anal, o que quer dizer que estamos biologicamente concebidos para o acocoramento - apenas perdemos a prática. A atitude é também muito importante. Independentemente da força que se faça, a atitude deve ser relaxada e autoconfiante.

Após a evacuação basta despejar água sobre o ânus e, com os dedos, ir retirando a matéria fecal que ficou agarrada. É importante utilizar muita água, sobretudo no início, embora a prática continuada nos torne mais poupados. Está cientificamente comprovado que este processo é bacteriologicamente mais limpo do que o recurso ao papel higiénico mesmo sem utilizar sabão. Ou seja, na verdade a sujidade é apenas psicológica e cultural. Vão ver que, depois da primeira vez, se habituam rapidamente.

Mesmo depois de habituados há alguns cuidados a ter como, por exemplo, não deixar cair a carteira, as chaves, o telefone ou o passaporte. Não só o facto em si é horrível como vamos fatalmente ter de o contar a alguém... Podemos levar um jornal para "ler" (opcional) mas nunca uma revista de papel lustroso - escorrega. É também sensato tirarmos as calças antes de nos agacharmos ou na hora da saída pode parecer que acabámos de tomar um duche vestidos e toda a gente se ri.

Procedendo assim, caro viajante, poupará a si mesmo toneladas de suores frios, dores de barriga, tempo e embaraço social. Funciona, é limpo e levá-lo-á a todo o lado, por mais exótico que seja, sem receio. Boas viagens.


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