AIDS/SIDA: o paciente zero


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A teoria do “paciente zero” relativamente à AIDS/SIDA, parece ter definitivamente os dias contados. As conclusões de um estudo recente confirmam a suspeita de que o vírus terá sido importado do Congo para o Haiti, daí para os EUA e dali para a Austrália, Canadá, Europa e Japão, disseminando-se de seguida em progressão geométrica pelo Planeta.

A conclusão de um estudo publicado recentemente na Proceedings of the National Academy of Sciences of USA, efectuado por uma equipa internacional de investigadores liderada pelo biólogo evolucionista Michael Worobey da University of Arizona, analisou o HIV-1 grupo M subtipo B, o subtipo mais disseminado e prevalente fora da África Subsariana e o primeiro a ser descoberto que, segundo os investigadores, surgiu no Haiti nos anos 60 do século XX vindo do Congo e que terá chegado aos Estados Unidos entre 1962 e 1972, cerca de uma década mais cedo do que se pensava, deitando assim por terra a controversa teoria do “paciente zero”.

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O estudo, que veio fazer luz sobre a lacuna existente no conhecimento do trajecto do vírus, situada entre a provável data da sua origem, África anos 30, e a sua primeira detecção, Los Angeles 1981, baseou-se na análise de cinco amostras de sangue colhidas em Miami em 1982 e 1983 a doentes com AIDS/SIDA provenientes do Haiti, que tinham sido congeladas e guardadas pelo Centers for Disease Control and Prevention (CDC), no exame de dados genéticos de 117 dos primeiros doentes com HIV/VIH conhecidos em todo o mundo e no cruzamento de estes dados com os obtidos a partir de amostras da África Central, consideradas as primeiras formas de HIV, e com os dados disponíveis de seropositivos recentes.

Os investigadores concluíram que o vírus terá sido levado para o Haiti por haitianos regressados de uma viagem à República do Congo em 1960 e que provavelmente um imigrante desconhecido vindo do Haiti terá chegado a uma cidade grande, como Nova Iorque ou Miami, e o vírus terá então circulado pela população norte-americana e outras nações provocando centenas de milhares de infecções antes de ter sido descoberto. De este subtipo que emergiu no Haiti descendem, segundo Worobey, a grande maioria dos vírus disseminados pelo planeta, com exclusão dos encontrados na África Subsariana.

Worobey afirmou ainda que, muito para além de o estudo ter sido importante “para acabar com a discussão” sobre a origem africana ou haitiana do vírus nos EUA, a identificação das origens do HIV e da sua variabilidade genética irá contribuir para o desenho de uma vacina eficaz anti-HIV, acelerar a descoberta da cura e auxiliar a prevenir futuras mutações do vírus.

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