
Quem nega o estatuto artístico a Stonehenge, ao Parténon, a Chartres, a Ronchamp ou à catedral de Brasília? Existe uma intimidade entre Arquitectura e Religião, uma relação de mútua inspiração e valorização, quase simbiose, que no passado sempre se revelou frutífera e ainda hoje o é.
Esta relação é intemporal. Atravessou toda a História e resistiu incólume ao impacto dos tempos modernos. Ao lado das arquitecturas industriais, das máquinas de habitar funcionalistas e dos modelos internacionais os edifícios religiosos modernos seus contemporâneos são, apesar de tudo, distintos. Contrariamente à arquitectura secular, a dimensão mística parece introduzir na arquitectura religiosa o elemento chave que a aproxima inexoravelmente da Arte, talvez por possuir um significado que se encontra ausente na produção arquitectural comum. A edificação de um qualquer edifício religioso é uma oportunidade para se questionar e reinventar a arquitectura; deve, por isso, ser alvo de especial atenção.
A igreja de Viikki, construída recentemente, é um bom exemplo disso. Localizada junto ao campus da Universidade de Helsínquia, no lado oriental da cidade, integra-se num plano mais vasto de desenho urbano. É interessante o modo como o projecto foi abordado desde o início, com o convite feito pela paróquia de Helsínquia ao atelier de arquitectura JKMM que viu nele uma oportunidade para desenvolver e qualificar uma área urbana com capacidade de alojar cerca de 13000 pessoas.
É preciso dizer que é comum na Escandinávia as igrejas servirem também como espaços cívicos, além de religiosos, congregando toda a comunidade em seu redor; não obstante, as características sacras dos edifícios mantêm-se. E assim se fez na igreja de Viikki, que se abre em amplas janelas e superfícies de madeira à paisagem e à cidade. A luz zenital, o altar e a cruz lembram-nos a sacralidade do espaço. O resto é apenas design - bom, por sinal.






6 comentários
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Sandra Leite
Bacana, Seven! Aliás, lindíssimo!
Você sabe que essa idéia do sacro e do que se chama profano eu curto demais. A igreja da Pampulha, em Belo Horizonte, (Oscar Niemayer) é um exemplo disso: uma sucessão de abóbadas parabólicas que nascem do chão, dando uma falsa impressão de curto espaço interior.
O projeto é Niemayer + Ceschiatti + Burle Marx + Portinari o que resulta em algo singelo e admirável. Mas a grande polêmica além da total descaracterização das igrejas católicas é que muitos alegam que as construções do púlpito e do batistério formam um ponto de interrogação, uma espécie de questionamento ao poder vigente. Interessantíssimo e coincidentemente verdadeiro.
Apenas desconheço se essa era a motivação, mas pensando em Niemayer, faz sentido...
Sandra Leite
correção na grafia :
Oscar Niemeyer*, o quase centenário arquiteto!
seven
É muito interessante de facto, Sandra. E o que dizer de Le Corbusier, o frio e racionalista arquitecto que foi o principal porta-estandarte do Modernismo, quando se transmuta radicalmente em obras sacras como o Convento de La Tourette ou a igreja de Notre Dame du Haut de Ronchamp? Dá que pensar...
joana
Essa igreja é impressionante!
nem parece ser uma igreja...
realmente impressionou a sua arquitectura pios komparandu kom a da minha ilh(ilha da madeira)e super diferente ...
parabemx"!
Jéssica
Se existissem igrejas como essa por aqui, eu juro que iria todo dia :D
linda de mais!
Vanderley Paulino
A Igreja e a arquitetura andam de mãos dadas a muito tempo...