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healthtech: micro-reservatórios de saúde

publicado em tecnologia por jr | 8 comentários

 Medicina Microchip Design Medicamentos Drogas Tecnologia Doenca Saude

Esquece-se com frequência de tomar os seus medicamentos a tempo e horas? Necessita fazer repetidamente medicação sob a forma injectável? Padece de Diabetes Mellitus e é, ou prevê-se que possa vir a ser, dependente de insulina? Se a sua resposta é afirmativa então este post é-lhe especialmente dedicado.

Cenários semelhantes aos vividos nos Departamento Médicos das sucessivas séries da saga Star Trek podem, num futuro não muito distante, vir em parte a extravasar da ficção para a realidade e transformar a face da Medicina tal como hoje a conhecemos. Os avanços tecnológicos em geral e a nanotecnologia em particular, abriram à vastíssima ciência médica caminhos antes sinuosos e longínquos, mas que a cada dia que passa se prefiguram como cenários exequíveis, com a realidade a superar muitas vezes as expectativas mais optimistas.

Exemplo flagrante desses cenários é a tecnologia que a empresa MicroCHIPS, de Bedford, MA, tem para oferecer num futuro muito próximo: micro-reservatórios que podem ser carregados com medicamentos, incorporados em microchips a serem implantados no corpo do paciente e programados para administrar os medicamentos de forma temporizada ou eventualmente controlada por sinais de rádio, cuja fabricação constitui o core tecnológico da empresa.

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O controle da libertação das drogas contidas nos reservatórios por sensores implantados no corpo humano que possam, por exemplo, medir o nível glicémico do paciente está também nos horizontes da empresa que prevê miniaturizar e estabilizar a tecnologia num período máximo de cinco anos, tornando-a exequível em alvos terapêuticos diversificados e produzir de forma massiva estes instrumentos.

Inicialmente concebida para substituir a administração de medicamentos menos eficazes quando tomados por via oral, as perspectivas que esta tecnologia abre à Medicina são gigantescas, podendo vir a constituir a via de eleição para a administração não somente de insulina como também das chamadas drogas do futuro: as “drogas inteligentes” ou “molecularly targeted drugs”.

Esta nova abordagem de design de medicamentos, que assenta na manipulação molecular de drogas já existentes e/ou na concepção de raiz de novas drogas que permitam atingir de forma ultra selectiva estruturas celulares ou percursores bioquímicos que se sabem ser responsáveis por determinadas patologias, nomeadamente algumas patologias cancerosas, é claramente o futuro da Medicina. Associadas, estas abordagens de “biosensing” - o diagnóstico assente nos microarrays que já nestas páginas referimos, as “drogas inteligentes”, os microchips medicinais e outras novas formas inovadoras de terapêutica, como as decorrentes da tecnologia do BST-Gel produzido pela Biosyntech, que já se alinham no horizonte clínico - prometem alterar radicalmente a forma como hoje abordamos o diagnóstico e a terapêutica das patologias e consequentemente a saúde e a doença e abrir novas perspectivas bem mais animadoras para a Humanidade.

We say, let it chip...


jr
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8 comentários

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Estamos perante um bom exemplo do potencial da investigação aplicada e consequente aplicação tecnologica a produtos desejaveis pelo mercado, ou seja, que satisfaçam de facto necessidades criticas e reais!

Cumprimentos

Blog Inovação & Marketing

Bom artigo.
Ma com uma enorme falha, não sei de por causa da profissão de quem o fez, ou por optimismo pessoal.

Os perigos que advém desta tecnologia em termos de privacidade e defesa de sigilo de situações pessoais são imensos.
O que eu quero dizer com isto é que a situação descrita no post não são só vantagens.

A informação que se retirará acerca de um qualquer paciente e das suas debilidades tem valor para terceiros) ex: companhias de seguros).
O post deveria - também - apontar esses perigos.

seven

Infelizmente, meu caro Dissidentex, creio que tem razão. Não sei se o JR irá acrescentar isso ao artigo ou não mas de qualquer modo fica aqui registado o seu comentário. Obrigado e volte sempre.

jr

Caro Dissidentex

Partilho obviamente consigo as preocupações realistas, leia-se certezas, quanto aos danos resultantes de uma apropriação indevida dos dados pessoais dos cidadãos pelos muitos tentáculos do poder.

Considero porém que os benefícios resultantes da aplicação à medicina da tecnologia em questão, os microarrays, e de outras de calibre semelhante, não deve, não pode, por razões óbvias ser travada de forma alguma por esse facto.

A gestão do conhecimento e das suas relações com quem no momento dele se quer apropriar em benefício da perpetuação do domínio do homem pelo homem foi, é e continuará a ser uma questão transversal ao desenvolvimento da Humanidade.

O comum dos mortais ficaria concerteza espantado ao vislumbrar o nível de conhecimento do cidadão e o nível de manipulação dessa informação que hoje públicos e privados detêm e fazem uso em provento próprio, e das formas mais ou menos tortuosas como obtêm e manipulam esse conhecimento.

O aproveitamento de tecnologias como esta é o equivalente a uma intervenção dos Meninos do Coro no permanente concerto orwelliano a que vimos assistindo.
Os desígnios do poder são claramente muito mais vastos e têm como único objectivo a sua própria perpetuação enquanto instrumento do capital.

Remetemo-nos voluntariamente para as trevas científicas para desacelerar esta conjura é jogar no terreno do inimigo com as suas próprias armas.
Ceder à paranóia e “abdicar da ciência” porque ela pode (vai) ser utilizada de forma indevida pelo poder pode ser uma opção, mas uma opção claramente menos “iluminada” que a opção de abdicar do poder como hoje o conhecemos.

“O que faz falta é avisar a malta”, claro. Mas não é suficiente: a malta tem memória curta, desculpabiliza o que não conhece e quando conhece desculpabiliza da mesma forma: o coração da malta tende a perdoar o que a mão cega, se fosse lesta, depressa executaria.
Criar “mecanismos de controle” controlados por quem pretende controlar seria perverso e ingenuamente inútil, e recorrer a “incorruptíveis” seria ainda mais perverso pela veleidade naif de subestimarmos o apelo do poder a quem o exerce.

Portanto o que nos resta então excluindo a tentação de ceder à paranóia e encafuar-mo-nos voluntariamente no bunker do “faz de conta que não estou nem aí”?

Um abraço

jr

Caros Br e Jr, especialmente o ultimo:

atenção que eu não estava a dizer que se deveria abdicar da ciência.
Embora reste saber até que ponto não estaremos a começarem quanto cidadãos a ter que "fugir " de algumas partes da ciencia por razões de privacidade.

O que eu quis fundamentalmente dizer era que o post deveria apontar os dois lados e com mais ênfase o lado do assalto à privacidade , , tentando mostrar o positivo e o negativo das coisas- do assunto , ou seja, que não são só vantagens.

Para isso sugiro, mais uns dois posts sobre o mesmoassunto mas postos de outro angulo de análise.

Por exemplo focar a situação, possível eassível de acontecer em que alguém ou alguma coisa criasse uma molecularly targeted drug com intenções hostis ou com chips de controlo embebidos na mesma, e que daí retirasse informação.

Ou por exemplo focar a eventual alteração genética que pudesse surgir derivada do uso constante destas drogas na humanidade- um perigo que pode acontecer.

Ou seja, o tema ser explorado em vários ângulos e numa série de postes vossos, explicando benefícios e perigos.

Fica o desafio - difícil de fazer, mas fica ao desafio...

seven

Proposta interessante, meu caro Dissidentex. Jr: pensas nisso?

gondim_86

Parabéns pelo artigo. se puderem visitem http://tecekisaude.blogspot.com/

ivana rowena

Muito interessante a discussão e concordo com os dois, dissidentex e jr. Ambos não excluiram o valor da ciência mas a História já demonstrou que os avanços da ciência fluem independente de governos e políticas públicas amorais, como a absoluta vigilância a que estamos todos submetidos, cidadãos de grandes centros. Pessoalmente, acredito que o pretexto principal é o terrorismo mas, na realidade, perdemos nossa privacidade, tal como os livros e filmes de ficção já mostravam desde Farenheit 451, Admirável Mundo Novo, Matrix, A ilha, etc...
Há uma necessidade de nos massificarem para maior controle, e a nanotecnologia dos chips possibilita isto, tanto para o bem como para o mal. Há pessoas com chips implantados para evitar as sequelas do mal de Alzheimer que têem qualidade de vida. Mas não são somente elas que podem ser detectadas pelo sistema integrado da Polícia, do Imposto de Renda, dos órgãos e setores variados dos governos.
É a nova forma de fichar os cidadãos, nossas vidas estão armazenadás lá, nos enormes computadores em centros secretos de reserva de informações pessoais captadas sob todas formas de comunicação informatizadas. Para que? Para serem listadas conforme a demanda e vendidas à indústria de planos de saúde, por exemplo. Se um jovem comenta com um amigo numa sala de bate papo que sofre de alguma doença incurável, ele pode ser recusado por todos os planos e não encontrar emprego... E jamais saberá a razão disso pois as pessoas ainda acreditam ou querem acreditar que a internet é um território livre e privado, não monitorado por cookies com os mais diversos objetivos pré-selecionados.
Já experimentaram colocar seus nomes no Google para ver o retorno em informações? A varredura é ampla, geral e irrestrita!

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