Um feliz Natal para Amy Winehouse


 Amy Winehouse Musica Natal Droga

Quem passa, distraído pelo meu blog sabe que eu tenho uma obsessão (pouco) saudável por esse farrapo humano que dá pelo nome de Amy Winehouse. Um amigo meu teve a ideia genial de que a segunda faixa do álbum “Back to Black”, de nome “You Know I’m No Good”, poderia ser a música que a Amy cantaria ao Pai Natal e eu diverti-me a imaginar a cena.

O senhor-que-distribui-prendas tem o ar afável que a Coca-Cola lhe deu e todos conhecemos: um vermelho vivo que nos traz à ideia à marca; umas peles brancas que o devem manter bem quente (útil em Lisboa por esta altura; absurdo no Rio de Janeiro, calculo); uma barba espessa e farta que na nossa imaginação lhe dá um ar de avô bonacheirão, embora todos saibamos que os avôs fazem a barba obsessivamente e são os netos que se desleixam por causa da preguiça e da ressaca.

A Amy não podia ser mais diferente: em tempos teve um ar saudável, mas agora a droga, o álcool e a ressaca emagreceram-na; o seu cabelo hesita entre o “look” ninho e a pretensão a colmeia, armado e ogival por cima da sua cara pequena; a cara que, diga-se tem um ar vagamente grego ou judeu, sem nunca o chegar a ser, com uma maquilhagem de esfinge. A voz não sei bem se continua a mesma que nos discos nos encanta. Por estes dias, a senhora esquece-se das letras das músicas, abandona concertos ameaçando o público com o marido que está preso e é fotografada com restos de um pó branco suspeito ao canto do nariz.

E no entanto, nesta época de paz e amor, de consumismo desenfreado e bebedeiras de Vinho do Porto em família, imagino-a sentada no colo do velho senhor. Ele perguntaria “Have you been nice, little girl?” e ela responderia cantando à capela toda a música, com aquela métrica lúbrica que a faz cantar um “I told you I was trouble” como se fosse uma verdadeira mulher fatal.


Luis Soares

escreve e gostava de só fazer isso, mas não pode. Gosta muito de cidades, sobretudo as que têm menos insectos que o campo. É lisboeta inveterado e tem a mania.
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