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As músicas dos filmes

publicado em cinema por | 28 comentários

 Musica Cinema Compositores Filmes Morricone Nino Rota Michel Legrand John Barry

Música e cinema para ter sido feitos um para o outro, desde os tempos em que víamos desfilar num ecrã as imagens a preto e branco ao som de uma pianola. Já então a música acompanhava as imagens e dava-lhe a expressão certa, fosse nos momentos de suspense, de tristeza ou numa mera cena de pancadaria. A empatia entre estas duas formas de expressão artística é tão forte as nossas memórias de um filme são frequentemente a lembrança da sua banda sonora ou, pelo menos, de um dos seus temas. Os grandes realizadores perceberam cedo essa importância e contrataram para os seus filmes os melhores compositores. Alguns destes especializaram-se mesmo em música para o cinema.

A associação entre o realizador Sergio Leone e o compositor Ennio Morricone, por exemplo, foi das mais frutuosas (ver artigos aqui e aqui). Contam os actores que participaram em Once upon a time in America que a música, previamente composta com base no argumento, soava em fundo durante a filmagem e que isso os ajudava imenso na sua representação - uma experiência indescritível! Aliás Morricone era exímio em sugerir ambientes através de fraseados e arranjos musicais.

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Mas Morricone não trabalhou apenas com Leone (veja-se a magnífica banda sonora de Nuovo Cinema Paradiso, de Giuseppe Tornatore) nem foi o único a conseguir essa empatia. O nome de John Barry talvez seja menos conhecido mas logo fica perfeitamente identificado se soubermos que foi o autor do famoso tema de James Bond, bem como de muitas bandas sonoras para os filmes do carismático agente secreto de Sua Majestade. E Barry compôs igualmente dezenas de bandas sonoras inesquecíveis como a de Out of Africa, Dances with Wolves, Cotton Club e, sobretudo, o belíssimo tema de Midnight Cowboy, que a harmónica de Toots Thielemans imortalizou.

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Centenas de composições para filmes, séries televisivas e teatro constituem o currículo impressionante de Michel Legrand. As composições do músico franco-americano estão muito próximas do Jazz, fruto da colaboração que manteve com figuras do meio, como Miles Davis, John Coltrane, Bill Evans, Phill Woods ou Stephane Grappelli. Alguns dos seus temas tornaram-se inclusivamente standards. Legrand demonstrou um especial talento para inovar e abrir novos caminhos. São da sua autoria diversos temas para filmes de realizadores da Nouvelle Vague como Claude Lelouch, Jean-Luc Godard ou Jacques Demy. Foi para este último que compôs Les Parapluies de Cherbourg, que o catapultou para o sucesso. Recordemos também os cristalinos The Summer Knows (do filme Summer of '42 e You Must Believe in Spring.

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Outro nome grande é o de Nino Rota. As suas músicas deram literalmente vida, entre outros, aos filmes de Fellini, Visconti e Francis Coppola, nomeadamente na trilogia O Padrinho, porventura a mais conhecida. Dele dizia Fellini que não precisava das imagens para nada, pois na sua mente as histórias surgiam directamente sob a forma musical. É talvez esta qualidade imaterial e abstracta que raros possuem que faz a empatia entre a música e o cinema.

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Ficam os excertos de alguns temas. Reconhecem-nos?





 

seven Co-fundador e ex-colaborador do obvious, actualmente retirado, foi responsável durante bastante tempo pela definição da linha editorial. Concebeu e coordenou a transição do blog para o formato de magazine. Saiba como fazer parte da obvious.

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Cara, brilhante o texto! A música é uma magia, junto com o cinema formam uma dupla perfeita. Quantas vezes nos pegamos viajando pelas letras cantados por grandes, quantas vezes nossa história se confunde com aquilo que ouvimos. Na verdade a música as vezes se comporta como uma válvula de escape do nosso dia-a-dia. Já o cinema, é algo que tem muito mais emoção do que diversão, muitos filmes contam nossa história, mas nada seria sem os grandes que perceberam a melhor forma de fazer isso...ora, nada melhor do que a junção de uma trilha sonora que te faz lembrar da sua história de amor, com imagens que retratam o que vc viveu. Bom, existem coisas que não podemos explicar, apenas apreciar, e uma delas é a magia do cinema!

Obrigado por trazer lembranças..abraço amigo!

Dina

Nenhuma das 4 é a minha preferida, mas palpita-me que a primeira é do filme "The good, the bad.".

Ganhei, ganhei?

Dina

:S
Bolas esqueci-me do piroso...

Corrigindo: 1.ª "The good, the bad, the ugly."

seven

Pura magia, Anderson. Ainda bem que gostou.
Um abraço para você e volte sempre que quiser

seven

Ah Dina... então nem ao menos conheces a última?

tajana

O Paul Thomas Anderson diz que o argumento do filme Magnolia surgiu de algumas músicas da Aimee Mann, que ele depois usou como banda sonora (nomeadamente, a célebre deixa e verso de uma das canções "Now that I met you would you object to never seing each other again?")

Dina

Vou meter o pé na argola, mas pronto...a última é do "Padrinho", não é?
:S

A banda sonora que me está a prender é a do Black Hawk Down do Hans Zimmer....que eu considero um compositor fantástico.
...mas numa onda diferente.....
Fiquem bem.

seven

Tajana: a relação música/cinema é quase como a relação ovo/galinha (ou galinhola) :)

seven

Dina, os teus 30000000000000000000000000000000000000 de neurónios não apenas te proporcionam excelentes capacidades lógico-dedutivas com também uma perspicácia fora de série. BRAVO!

seven

Há músicas que andam dentro da nossa cabeça muito tempo e custam a sair, Chapas. É frequente acontecer-me isso e, curiosamente, com bandas sonoras. Volta e meia ando com a do "Paris, Texas" na cabeça não sei porquê (paranóia...)

Dina

Ena, ena! O reconhecimento tarda mas não falha! :S
Esti9ve melhor na parte da argola, foi?
:D

seven

Sempre foi aquela onde te deste melhor... :P

Gil

Mais um bom tema; mais um bom lote de comentários! Uma banda sonora de um filme é divinal quando o som empatiza em absoluto com a imagem. Se tal não acontecer, se o som só lá estiver para disfarçar trapalhadas, oh pá, por melhor que sejam a harmonia, o ritmo e a melodia, a banda sonora é uma trampa!... Aliás, deixa de ser banda sonora, liberta-se e assume independentemente o estatuto de composição genial(se for o caso).

seven

Absolutamente. E não é por acaso que os bons filmes têm sempre uma banda sonora à altura, como também não era por acaso que Leone contratava Morricone, Fellini contratava Rota e, mais recentemente Spielberg contrata John Williams...

tajana

Embora haja muitos bons filmes que nem sequer têm banda sonora.

seven

Aposto que John "4min 33s" Cage subscreveria essa tua afirmação, Tajana ;)

Herasmo

Ao ouvir essas músicas até parece que estou assitindo as fitas de bang bang em nosso velho e já inexistente "cine iacy", em Pinheiro, Ma.

manuel de sousa

em jovem já gostava da musica mas achei extraordinário
o casamento do cinema com a música é qualquer coisa
de sublime dá imensa força ás imagens cinematográficas
e mexe com os nossos sentimentos,tornando«nos envoltos
no enredo do filme.

João

Devia de abordar também o Bernard Herrmann no seu texto.

gookz

eu sou tipo que fica imaginando uma trilha sonora pra cada momento da vida...
me senti no seu texto...
gostei!

silvioafonso

.

"O FILME QUE PASSA NA TELA DA MINHA VIDA".

Queima no meu corpo, arde no meu rosto e
deixa em minha boca este gosto de sangue
puro que sugo ao sorver você.
Mente confusa, inerte, incerta que traz no
corpo todas as portas, abertas como os
braços e as pernas que apertam de encontro
ao seu ventre a minha cara na saliva desta
eterna agonia.
Ópio da loucura, febre sem trégua que borbulha
em fervura enlouquecendo como o crack que
devassa a alma, machuca os grandes e os
pequenos lábios, dilacera entre pernas largadas,
abandonadas de um orgasmo de fogo cruzado,
porém amigo.

silvioafonso.

.

Paulo Oscar Ferreira Schwarz

As mais belas trilhas do cinema começaram a aparecer nos anos 30. Embora "Over the rainbow" do filme "O mágico de Oz" tenha sido um primor, coube à Disney, em 1936, no desenho "Pinochio", lançar a belíssima "Quando se deseja alcançar uma estrela", composta por Leigh Harline, com letra de Ned Washington. E não se pode esquecer das melodias criadas pela dupla Frank Churchil e Larry Morey para o desenho !Branca de neve e os sete anões", em 1938. E como esquecer o "Tema de Tara" de "E o vento levou", de Max Steiner?

Newton C Brag

Artigo muito bom, destaques apropriados.
As música do desafio, só pra quem tem dúvidas: The Good, the Bad and the Ugly (filme O Bom, o Mau e o Feio), Midnight Cowboy (filme Perdidos na Noite), Summer of '42 (filme Houve uma Vez um Verão) e Theme from The Godfather (filme O Poderoso Chefão).
Gde abraço

Jandira Costa

Acabei de ver o vídeo "Visconti's Actors" e achei a montagem perfeita!
Qual o nome da canção e quem canta?
Viconti foi feliz na escolha desses atores notáveis!
Obrigada,
Jandira Costa

Faltou citar o Javier Navarrete, que fez a trilha d'O Labirinto do Fauno! E, claro, Yann Tiersen, que já fez várias trilhas, sendo a mais conhecida a de "O fabuloso destino de Amélie Poulain".

Nossa!
Muito bom, esse post tenho que mostrar até pro meu Pai, valeuu...

mila

Música e cinema nos fazem viver várias vidas em uma... também lembrei do meu pai, que saudade.

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