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Mozart - brincando aos clássicos

publicado em musica por seven | 26 comentários

 Musica Mozart Classicos Brincadeira

Em termos artísticos a palavra Clássico significa acabado, perfeito, eterno, algo que não pode ser melhorado e, por isso mesmo, constitui uma referência. Mas é também sinónimo de imobilismo, de repetição, monotonia... o oposto de Criação, tão essencial à Arte. No âmbito musical a palavra remete para a música produzida num dado período histórico e que obedecia a parâmetros bastante rígidos. Os músicos preferem, com razão, chamar-lhe música erudita.

Mozart é justamente considerado um clássico. Já falámos dele aqui e aqui a propósito do 250º aniversário do seu nascimento. O músico tinha consciência das regras apertadas que pendiam sobre os compositores e das implicações que acarretava a sua transgressão. No entanto foi um transgressor convicto e recusou ser igual aos outros, monótono e repetitivo. Foi não só original como brilhante na sua empreitada mas pagou caro o preço dessa ousadia. Mesmo assim, riu-se disso e fê-lo da maneira que sabia: compondo.

Os compositores seus contemporâneos, mesmo os melhores, eram indivíduos que escreviam 300 sonatas, 500 quartetos de cordas, etc. quase todos iguais. Isto devia aborrecê-lo sobremaneira. Compôs então um pequeno trecho musical propositadamente medíocre e banal mas pleno de humor onde captou todos os tiques dos seus colegas de profissão. Uma paródia, no fundo. Mas por trás da aparente banalidade há uma ironia muito subtil e um trabalho de composição extremamente apurado que, inclusive, introduz dissonâncias, fraseados assimétricos e politonais que só bastante mais tarde seriam utilizadas pelos Modernos, como Debussy ou Stravinsky.

Trata-se da peça em três andamentos Kv. 522 sintomaticamente denominada Ein Musikalischer Spaß (Uma brincadeira musical). Poucos meses depois desta obra medíocre Mozart deu-nos a espantosa composição Eine Kleine Nachtmusik, um dos seus trabalhos mais belos e emblemáticos. Uma bofetada de luva branca...

 Musica Mozart Classicos Brincadeira


seven
Sobre o autor: seven, Co-fundador e ex-colaborador do obvious, actualmente retirado, foi responsável durante bastante tempo pela definição da linha editorial. Saiba como fazer parte da obvious.

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26 comentários

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Mateus

Sim, Mozart era um brincalhão, mas subversivo. Por exemplo: “As Bodas de Fígaro” (K492), é uma ópera que se baseia numa peça política escrita por Beaumarchais, dramaturgo francês, da qual se diz ter incitado à Revolução Francesa. Ou o “Concerto para Trompa nº4”, do qual destaco o 3º andamento (K495). Mozart compôs quatro para este normalmente lúgubre instrumento fazendo que seja tocado de forma rápida e jovial – “Trompa e orquestra cruzam sons de ironia musical” (Herbert Kraus). Um Solo de Trompa?! Quem mais senão um génio revoltado naquela época de formalismo rígido, se lembraria disso?

Dina

Desde que assisti a um concerto comentado, onde exemplificaram que com uma música de Mozart se cantava o "Eu tenho 2 amores", nunca mais os meus ouvidos foram os mesmos. :[

Gosto de Mozart, mas prefiro outros clássicos não tão famosos.

Ah!, gosto de sonatas, mas quem me tira um minuete... tira-me tudo. Os de Boccherini são um espanto. ;)

seven

Mateus: concordo que Mozart era especialista em combinações surpreendentes, no mínimo. Não sei é se o fazia por revolta se pelo simples prazer de ser diferente ou extravagante. Mas que o fazia de modo soberbo, sim, fazia.

seven

Dina: não pondo em causa a grande admiração que eu tenho pelo Marco Paulo, devo dizer-te que o facto do seu grande sucesso bi-amoroso ser cantável ao som de Mozart nenhum desabono traz nem um nem outro.
Faz o teste: experimenta declamar "Os Lusíadas" ao som da música "Cavalos de corrida" dos UHF e terás uma surpresa...

Mateus

Era um génio revoltado neste contexto: "No entanto foi um transgressor convicto e recusou ser igual aos outros, monótono e repetitivo."
Senão, tenhamos em conta o 1º andamento da 'Sinfonia Concertante’ (K364). Começa com uma abertura longa, formal. Mas eis que um violino e uma viola saem dessa rigidez, dessa inflexibilidade e começam a brincar um com o outro, a jogar com os sons para vários instrumentos, como se pretendessem tocar os dois sozinhos um concerto inteiro.
A Orquestra tenta que eles voltem à ordem, várias vezes, repetidamente, mas eles continuam livres os seus solos, depois repetindo os sons um do outro e mais tarde formando um dueto de forma natural. A Orquestra tem de os seguir e o andamento acaba descontraidamente.
Este pequeno exemplo pode não ser o melhor, mas não é difícil encontrar “provas” da insubmissão de Mozart na sua obra.

" Cavalos de corrida ", grande tema em breve em reedição merecida; " Eu tenho uma loira e uma morena " - isso queria eu! - também não é mau, até porque o senhor canta bem, não é Dina?; Mozart era dois, e a entidade Seven já sabe bem o que eu entendo por dois em arte. Era dois, e cada um era enorme. Sendo assim, e dominando as claves em todas as linhas em que estas se podem fixar; sendo, ainda, excelente observador e irreverente em dose cavalar, só poderia produzir qualidade e inovação!

Bluegift

Em suma: um rebelde brilhante!
Gosto muito de Mozart e confesso que não conhecia esta peça nem essa história. Foi agradável ouvi-lo logo pela manhã.

X

qual foi o preço dessa ousadia? =X

Pois é exatamente por essas características peculiares, que Mozart é um dos compositores eruditos mais "clássicos"... e o meu FAVORITO!!! Beethoven tbm era meio fanfarrão, né não? Por isso, esses dois são os melhores :)

Palavera de quem não entende lhufas de música clássica, mas adora alguns clássicos impecáveis, como as peças desses dois :)

Abraços o/

Dina

Seven-pá,

tu nunca compreendes o que eu esrcevo. Oh sorte malvada!:$
Só te desculpo, porque isso é uma prova irrefutável da tua masculinidade. ihihihih
Eu não subestimei nenhum deles, caraças! Aliás, seria pouco inteligente da minha parte fazê-lo, não achas?

Gosto de Mozart, mas não é o meu preferido.
Isto interessa para alguma coisa?
Nada. Apeteceu-me dizê-lo e ponto final parágrafo :P

seven

X: não sei qual foi o preço dessa ousadia em particular mas é sabido que Mozart fez muitas invejas numa corte onde era um estranho, de certo modo. Não teve uma vida muito fácil apesar de tudo e não morreu nem rico nem velho. Morrem jovens aqueles que os deuses amam.

seven

Gil: há uma característica em Mozart que eu aprecio imenso e que só encontro nos grandes. É talvez a medida do génio. Enquanto um compositor com Beethoven cria peças magníficas mas esforçadas - é o que sinto - Mozart faz parecer as suas obras desconcertantemente simples, ainda que tenham um enorme esforço por trás. Os sons saem naturais, fluidos. Um criança trauteia facilmente Mozart e isso é um grande elogio. Só encontro equivalente em Bach, aquele entre os "clássicos" por quem nutro uma admiração sem limites.

seven

"Cavalos de corrida" deve ter sido a melhor música dos UHF. Depois disso fizeram todas iguais. Mas já experimentaram cantar "Os Lusíadas" com essa música? É uma experiência que tem tanto de místico como hilariante...

É, suponho que um génio maior visitava e impunha-se regularmente a Mozart; Seven, quanto aos UHF é verdade: mulheres bonitas não as há somente na rua do Carmo.

seven

eheheh... é verdade, Gil. Também as há aqui no obvious, por exemplo ;)
Bom fds

Adoro Mozart.

seven

Conhecia esta peça, Anna?

Dina

Quanto Bach não podia estar mais de acordo contigo, 7-pá. Esse é o máximo! Devo dizer que na minha estante está um calhamaço, da grossura de uma lista telefónica - "História da música ocidental"-, onde se lê que nos 3 melhores trabalhos de Mozart se nota, precisamente, a influência do Génio dos Génios. Há até quem diga que o classicismo começa precisamente com a morte de Bach.
E pronto, apesar de estar a escrever este comentário ao som de Justin Timberlake (aquela coisa ‘má linda’) apeteceu-me dizer que estou atenta e a gostar imenso de ler as vossas opiniões, viu Gil?
O que se aprende convosco!

Bom fim-de-semana a todos!

;)

seven

Recordo-te Dina-pá que Bach foi muito mal visto pelos Clássicos e também pelos Românticos. Só foi resgatado muitos anos mais tarde. Cito Eça, n'Os Maias: "Foram dar Beethoven a pessoas habituadas à chulice de Bach".

Dina, desculpa só agora te retribuir os votos de um bom fim-de-semana. Quanto a aprender, eu é que tenho aprendido com vocês... Só há pouco descobri isto, mas mais vale tarde do que nunca. Sinto-me bem nestas incursões; pena é que por vezes não haja disponibilidade.

seven

O que há de bom no meio disto tudo é que todos aprendemos - nós e vocês - se tivermos a mente suficientemente aberta para isso.
Obrigado a todos pelos vossos comentários e sugestões.

Meu favorito é Bach.. mas não conheço quem não goste de Mozart!! alguém ai já viu o filme "Amadeus"???

O filme é um pouco exagerado mas retrata aquele mozart que, eu não sei se existiu, mas que é oque todo mundo imagina, retrata o ideal de mozart que nós (ao menos eu) tenho.

Author Profile Page seven

Rafael: o meu favorito também é Bach ;)
O filme "Amadeus" é um clássico, toda a gente devia ver.
Obrigado pelo comentário. Um abraço

leonardo

olá boa tarde para todos
percebi que voces tem muita admiraçao pelo Mozart
e que devem conhecer suas obras a contrario de eu
peço a voces Se souberem o nome da musica dele que é lembrada pelas corridas de cavalo, citem ela para mim
estou atras dela a algum tempo.
e preciso dela para fazer um trabalho para a faculdade
desde já obrigado!

margarida manuela ferreira amorim

Para mim Mozart foi o melhor e sempre será mas a coisa que me faz dizer que Mozart e o melhor e que nunca vi uma pessoas a tocar cravo aos 3 anos e aos 4 anos cravo e violino e aos 5 anos a compor a sua primeira sinfonia e aos 7 anos a primeira melodia e aos 12 anos a sua primeira opera completa por isso e que eu digo ninguém vai ser igual a Mozart também porque perdeu sua mãe em paris perdeu o cargo de mestre da capela e perdeu 4 filho que nem chegavam a ter 1 ano e ponto final e perdeu seu pai leopol .Mas quando ouço o requiem de Mozart principalmente a “lacrimosa”choro porque foi umas das ultimas horas de Mozart antes de falecer e e um bocado difícil um musico tão bom morrer tão novo e ensaiando o seu próprio requem.Mas umas das operas que eu mais gosto são as bodas de figarro porque gosto da parte do homem a medir a cama e gosto de Don Giovanni porque Mozart compôs assim dizer para seu pai

margarida manuela ferreira amorim

Mas também vi o filme Amadeus as partes que eu mas gosto são quando Mozart esta numa opera e parece que esta brincando gosto da parte que Mozart toca a marcha sem ver a partitura e a parte em que salieri fala das musicas de Mozart "originais" e quando Mozart esta tocando co os olhos vendados e riso magnifico de Mozart

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