Nomes de medicamentos #2



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Uma análise mais atenta aos nomes dos medicamentos comercializados no nosso mercado revelou coisas interessantes... A hipótese das mensagens subliminares parece ganhar consistência. Reparei que alguns deles parecem conter apelos dissimulados ao consumo. Por exemplo: não acham que comprando uma caixa de Domperidona ficamos com uma estranha e irresistível vontade de beber champanhe? Já nem digo que nomes como Kinzalkomb, Bonviva, Dogmatil ou Rebif nos façam salivar abundantemente como o cão de Pavlov mas que cria em nós um desejo intenso de ir a correr ao hipermercado comprar embalagens gigantes de comida para cães lá isso cria!

E a simples visão de um tubo de Budesonido não vos dá um formigueiro que vos impele a comprar uma aparelhagem de som espanhola? A mim dá... O caso das músicas é flagrante. Ora digam lá que depois de adquirir uma carteira de Penilan não têm necessidade de comprar uma colectânea de êxitos dos Beatles e que ao tomar uma dose de Sibelium não se sentem compelidos a trautear a Valsa Triste de um certo compositor finlandês? Para mim é claro que a banda Ena Pá 2000 aparece sugerida em qualquer prescrição de Bedoze 10000... E o que pensar então de designações sofisticadas como Wintomilon e Duphaston? Lingerie feminina, é claro...

Descobri também publicidade oculta às aventuras de um certo guerreiro gaulês cujo nome o pudor me impede de pronunciar aqui. Reparem: Aurorix, Cefofix, Cefrix, Clonix, Hiberix, Nalbix, Oraqix, Starlix, Virlix, Zeffix, Zorix... Se atentarmos ainda nos nomes Moduretic, Monsalic, Myfortic, Odric, Omnic ou Zyloric veremos que se trata de uma famosa aventura que teve lugar no país dos Godos!

E depois há aqueles animados que passam na televisão que é só seres que se transformam, dotados de uma inteligência diabólica e força prodigiosa e que - claro! - querem tornar-se senhores absolutos do Universo. Os nomes são terríveis: Atacand, Gigatrom, Implementor, Kreon, Masto-Danatrol, Metanor, Moxon, Totan, Tromiz, Sirdalud, Zarator, Zocor. Felizmente que para defender o Universo destes vilões há uma legião de super-heróis com super-poderes fabulosos: Aerius, Isuhuman, Maxflin, Quomen, Spasmomen, Suprefact, Ultrabeta, Ultra-vinca, Vytorin (nem quero saber quais são os super-poderes deles...). Estão a imaginar os diálogos? "Ah! Ah! Rende-te Masto-Danatrol! Não conseguirás escapar desta..." "Nunca me apanharás vivo, Aerius! O Universo vai saltar comigo! Ah! Ah! Ah! Ah!" (gargalhada sarcástica nº 3).

Melhor que tudo são os delicodoces do tipo doce alívio... Recorrem muito a galicismos ou mesmo a nomes franceses para transmitir uma imagem de suavidade e sofisticação: Allurenne, Jeanine, Lafamme, Petibelle, Angelic, Diane, Nuvelle, Valette... Também há uns exageradamente líricos como Yasmin, Gracial, Laurina ou Sonata... Outros há que me intrigam deveras: Budo san é um medicamento para japoneses? O Neuro-race promove a competição entre os neurónios? O Otobrol só pode ser usado durante o mês de Outubro? O Taloxa destina-se exclusivamente aos operários da construção civil? Podemos ter esperança com o Tuneluz?

Para terminar este já longo rol aqui ficam alguns que NUNCA mas NUNCA se devem usar - com nomes destes não podem ser coisa boa... São eles: Viramune, Ursofalk, Reupax, Acudor (não devia ser Ai Que Dor?), Ralopar, Vabeta, Pep-rani, Tramy, Diulo, Parlodel, Drill (será engano?), Tonicê, Diastabol, Ogasto, Raptiva, Paftec. Que tal tentarem adivinhar a aplicação terapêutica através do nome, hum?

seven

Co-fundador e ex-colaborador do obvious, actualmente retirado, foi responsável durante bastante tempo pela definição da linha editorial. Concebeu e coordenou a transição do blog para o formato de magazine.
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