
Burtynsky sempre se interessou pela transformação da paisagem e do território por acção do Homem e, em especial, pela Indústria. Há algo de filosófico em tudo isto. Segundo ele, as grandes etapas da evolução humana são medidas pelo uso e exploração das matérias-primas que a Terra fornece: a Idade da Pedra, dos Metais, do Carvão, do Petróleo, etc. Nos seus trabalhos procura captar em pormenores e em contrastes a dialéctica entre um ser humano que na sua procura por um ambiente mais confortável o consome e delapida rapidamente. Essas imagens de contradição são por ele entendidas como uma metáfora dos tempos modernos. A sua recente reportagem sobre o trabalho manufacturado na China é exemplar sob esse ponto de vista.
Se calhar já todos sabíamos - ou pelo menos imaginávamos - que seria assim. Porém, as imagens realizadas pelo fotógrafo revelam não apenas o detalhe como a vastidão dessa realidade que é a produção industrial ou semi-industrial chinesa. Toda esta produção que absorve uma fatia cada vez maior do mercado mundial (70% das decorações de Natal, 29% dos aparelhos de televisão, 75% dos brinquedos e provavelmente 100% das t-shirts) provém da China e do trabalho manual de milhões de chineses.
Cada trabalhador é, no fundo, uma peça de uma enorme máquina de produção bem oleada. Esta rede humana estende-se a um vasto território como um pano de fundo uniforme. Os padrões repetem-se até à exaustão de uma forma ordenada e doentia. Não há excepções à regra nas cidades, nas casas, nas ruas, nas províncias. Até as cores são padronizadas. As fotos de Burtynsky são disso reveladoras mas não são isentas de beleza. Lembram as pinturas gestuais de Pollock. E, aqui, também o gesto é tudo.





16 comentários
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Sérgio A.
JA-SUS!!!
Tamos feitos!
slim
Subscrevo o comentário do Sérgio A. e acrescento:
Querem transforma-los em autómatos. Só pode.
O que diria Charlie Chaplin sobre esta fábrica?
Diria provavelmente que são tempos ultra-modernos... ;)
rodrigo lessa
Olá!
Gostaria de enviar para o site um release de divulgação de uma exposição fotográfica com temática glbtt na cidade de Salvador (Ba). As fotos da exposição foram tiradas durante a Parada do Orgulho Gay do ano passado. Se tiver interesse, mesmo que para dar uma olhada, me manda um email: lessaro@gmail.com .
Grato, abraços.
Rodrigo Lessa
Margarida Pinheiro
Ests fotografias de Burtynsky sobre o trabalho na China são fabulosas. Penso que com tanta "gente" deve ser difícil manter um clima de indisciplina. Estas fotos mostram a ordem!!!!!!!!!daquela vivência, no trabalho, no intervalo, terão café?... Mas é complicado tentar moralizar ou politicar outros povos. Que nos trará a globalização? Penso sempre nos meus netos.........
EduardoG
Formiguinhas no formigueiro, peças no tabuleiro, números nas estatísticas, mão de obra na economia, um em 1 bilhão, é isso o que os chineses são: um nada. O comunismo caiu como uma luva para eles.
Depois criticam o capitalismo, mas no capitalismo eu posso sonhar com qualquer coisa, no comunismo a vida é aceitar de cabeça baixa essa insignificância existencial.
ana
é!? e ainda caimos igual patinhos no mundo de consumismo...... fazer o que?
triste fim.
jose alves
matéria preciosa, fotos fabulosas..
gerson lessa
Me-do....
João Tavares
Economias d'escala.
simone
Pollock????????
Nuno
Crise...
Je Jé
Sem lamúrias e sem rótulos, a China vai se tornando dona do mundo. Compram o que houver nos cinco continentes e vão povoando os quatro cantos do mundo. Mais uns "anitos" e o corpo humano tera uma só facehehehehehehehehehe
Nedir Vasconcelos
Nooooosssa fiquei impressionada,só que estou ajudando minha filha em uma pesquisa sobre formas de trabalho na China, e deparei-me com uma contradição.Acabei de ler um artigo escrito,em junho de 2007,por John Chan relatando escandalo de trabalho escravo na China.Agora essa maravilha que acabei de ver sobre o trabalho na China,com fotos espetaculares, fiquei chocada.O trabalho escravo aconteceu? ou ainda acontece?
tiosamsam
Como é diferente o modo de olhar de cada um. Estamos no Brasil e vemos nossos desmandos e desatinos. Quando vemos os chineses em sua cultura, logo queremos adjetivá-los de forma diferente. Existe sim, comunismo, mas a forma como é aplicado tende a colocar as coisas no seu devido lugar. Quem não se sente confortável procura lugar que ache melhor. Agora, uma coisa deve ser notada, chinez em terra de outro, não fica sem trabalho nem sem comida. Ele luta por eles. E acaba vencendo.
jaime
O que mais me chocou, na verdade, foi o comentário onde se pergunta, após ter visto as fotos, se exite ainda trabalho escravo na China. Poupe-me, por favor.
Quanto ao "comunismo", é tudo o que sonharam os capitalistas ingleses do século XIX.