As cidades desenhadas

Publicado em bd / hq por seven em 2 abr 2008 | 13 comentários

 Banda BD Cidades Desenhada Desenhos Historias HQ Quadrinhos

Agora que findou a saga das cidades aqui no obvious - as nossas cidades - talvez se possa falar das cidades dos outros, ou vistas pelos outros. Um dos lugares onde sempre ocuparam especial protagonismo foi no cinema. Lembremo-nos apenas da incontornável Metrópolis, de Fritz Lang. Mas as cidades também fascinaram desde sempre os pintores e desenhadores, da Vista de Delft, de Vermeer, aos desenhos utópicos da arquitectura futurista. Mais recentemente, a Banda Desenhada (Histórias em Quadrinhos) deu-nos algumas das mais poéticas visões de cidades, um imaginário rico e povoado de mundos que apenas existem no papel. Fiquemos com alguns deles...

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Em 1970 a primeira aventura de Valérian, o agente espácio-temporal, criação de Mézières e Christin, situava-se num futuro não muito distante: 1986. Chamou-se "A cidade das águas movediças". Por essa altura, um cataclismo nuclear derretera a calote polar árctica e o nível das águas em todo o globo subiu vários metros. Toda a acção desta aventura decorre numa Nova Iorque fantasmagórica, meia submersa e quase totalmente abandonada, com os seus prédios arruinados a emergir do mar como estacas num emaranhado de vegetação tropical e aves esvoaçantes. Ficou a imagem simultaneamente bela e assustadora da a big apple transformada numa mega-Veneza do futuro.


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Alguns anos mais tarde (depois do futuro não cumprido de 1986) o mesmo autor, Christin, criou em associação com Enki Bilal uma fábula social intitulada "A cidade que não existia", onde a população de Jadencourt trabalha para construir uma cidade ideal e imaculada, que é assim conservada dentro de uma bolha, posta entre parêntesis para com o mundo.


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Mais tarde ainda, o mesmo Bilal imagina sozinho uma outra cidade ainda mais fabulosa. Trata-se de Equador City, cidade do Centro-Leste Africano situada na linha do Equador e caso único na história da climatologia, onde a temperatura estabilizou a 21º C negativos. Este fenómeno é provocado por um tornado glaciar de efeito vertical denominado "chaminé" responsável pela criação de uma zona micro-climática mesmo no centro da cidade, em contraste com o clima quente desértico da restante região. "Frio Equador" passa-se no ano de 2023. As imagens poderosas deste livro e dos dois anteriores que integram a mesma saga deram origem ao filme "Imortal".


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Numa das suas aventuras, Lone Sloane, um herói do futuro criado por Philippe Druillet e Jacques Lob, viaja até ao planeta Delirius, que dá o nome à história. O planeta é composto por um único continente que não é mais do que uma imensa cidade contínua com sete milhões de quilómetros quadrados, tumultuosa e fervilhante de infraestruturas dedicadas ao prazer - casinos, recintos de jogos, bordéis... Delirius é o centro da galáxia, uma cidade de dinheiro, violência e corrupção. Tudo pareceria já visto não fossem os extraordinários desenhos do seu autor...


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Por fim, não uma história mas uma série obrigatória que, para os apreciadores deste género, dispensa apresentações: "As cidades obscuras", de Schuiten e Peeters. Todos os álbuns desta saga contêm histórias independentes embora haja aventuras diferentes passadas na mesma cidade. Personagens, edifícios, detalhes e diversas alusões subtis passam de umas histórias para as outras. Os ambientes são deliciosamente retro, os argumentos cheios de poesia e os desenhos belíssimos.

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13 comentários

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gostei muito
acho que o expoente mais popular seria Sin City.
engraçado que eu assisti Imortal e achei uma droga
ao mesmo tempo em que achei enigmático
como se tivesse uma sustentação oculta
faz sentido agora.

André M. em 2 de abril de 2008

André, os livros que dão origem ao filme (a trilogia Nikopol) são bem mais interessantes, apesar do filme ter sido dirigido pelo próprio Bilal. Há muitos casos como os que eu apontei (Sin City é um deles) e apenas me limitei aos autores franco-belgas.
Um abraço

Author Profile Page seven em 2 de abril de 2008

yo tambien destacaria el otro metropolis, el film de animacion de rintaro.

um abraço,

Paul M. em 2 de abril de 2008

Gostei das imagens selecionadas. Ainda não conheço esses trabalhos na integra, aprecio quadrinhos e vou procurar obtê-los. O artigo realmente me incentivou a conhecer essas obras. Valeu!

Duda Falcão em 2 de abril de 2008

Recentemente a RTP passou um filme do Enki Bilal.

Carlos em 2 de abril de 2008

Paul, quer nos dar mais informações sobre esse filme?
Duda: sempre às ordens ;)
Carlos esse filme não era o "Imortal"? Creio que o Bilal já fez outros...

seven em 2 de abril de 2008

Boas!
O filme exibido pela RTP foi o Imortal; e subscrevo a opinião do André, é mesmo uma droga. Num registo semelhante, com a colaboração de artistas franco-belgas, o "Quinto Elemento" é mil vezes melhor...

Paulo Ferreira em 4 de abril de 2008

Paulo, tenho a impressão que esse filme, "O quinto elemento", teve a intervenção de J. C. Mézières, autor de Valérian.

Author Profile Page seven em 4 de abril de 2008

Obrigado pela informação sobre a qualidade do filme. Tenho que admitir que só vi meia dúzia de fotogramas pois à hora a que aquilo deu estava a ir para a cama. Assim não fiquei com pena de o não ter visto. O Valérian como BD aparecia na revista Tintin quando eu era miúdo (e tenho que admitir que não era das minhas leituras preferidas).

Carlos Afonso em 5 de abril de 2008

Seven, Schuiten & Peeters têm, fora das Cidades Obscuras, a cidade de "Memórias do eterno presente", com bela história sobre ditadura sem tempo após um dia com dois sóis, desenho formidável (mais do que nas C.O.). Se não se chama Taxandria, é esse o seu nome invisível. Schuiten e Peeters estiveram envolvidos no filme de Raoul Servais, Taxandria (que não vi).

sao em 7 de abril de 2008

Nunca vi isso à venda...

Author Profile Page seven em 7 de abril de 2008

Tive oportunidade de herdar várias bds do Valerian & Laureline que reli incontáveis vezes, são fantásticas. As bds do Bilal com o Christin também são incontornáveis, para quem ainda não viu aconselho vivamente o Bunker Palace Hotel realizado pelo EB, dá toda uma outra dimensão à obra dele, pena o uso de CG 3D misturado com live action no Immortel, assassinou completamente o filme.

MACCoutinho em 20 de março de 2009

Cheguei aqui por indicação de uma amiga e estou fascinada. Se não se importa, farei menção de seu site em meu blog, convidando as pessoas a virem espiar reflexões tão interessantes.
Abraço,
Ana Paula

Ana Paula Medeiros em 10 de abril de 2009

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