Barcelona: bibliotecas, bicicletas, transportes públicos


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Não faço a mínima ideia se é difícil vir para Barcelona de carro, se há problemas de estacionamento. Não me interessa, nem haverá grandes desculpas para isso ser a dor de cabeça que é em Lisboa, por exemplo (onde, como também ando de transportes, me incomoda sobretudo o barulho e o fumo).

A bicicleta é um meio de transporte mais que comum e, para além das bicicletas pessoais de cada um, a cidade tem desde há um ano o Bicing, um serviço público de bicicletas comunitárias que permite, mediante inscrição e pagamento anual, pegar numa bicicleta Bicing de um dos pontos de parqueamento e usá-la até ao ponto de parqueamento mais próximo do nosso destino. A rede de parqueamentos é suficientemente boa para que o serviço seja um sucesso estrondoso.

Em Lisboa dá-se sempre a desculpa de que a cidade sobe e desce, mas eu vejo como maior obstáculo a preguiça e o comodismo; eu não iria de bicicleta para Alfama ou Campolide, mas há zonas da cidade que são acessíveis. O lobby instalado dos automóveis é demasiado forte para que se considere, sequer, que andar de bicicleta seja uma coisa suficientemente importante para se prescindir por exemplo de uma faixa de rodagem para criar ciclovias. Porque com o trânsito já tão complicado, ainda ia ficar pior, não é? E claro, andar de bicicleta, sobretudo uma bicicleta velha que não suscite cobiças, também não é chique - suja-se a perna na corrente, parecemos pobrezinhos e sei lá mais o quê (já comprar uma bicicleta de montanha de dois ou três mil euros para usar ao Domingo, e deixá-la apanhar um bocado de lama para provar que somos uns valentes, está bem).

Em Barcelona não há tantas ciclovias assim - muitas vezes, as bicicletas partilham faixas de rodagem automóvel. Ou mesmo passeios. O caos é mais ou menos generalizado, mantém-se em lume brando, lembrando-me Marraquexe, em que veículos de todo o tipo e peões convivem milagrosamente. Andar de bicicleta em zonas como as Ramblas ou o Raval é uma fonte de stress permanente, porque os peões literalmente saltam para o meio da estrada sem olhar, as bicicletas entram e saem de passeios e ignoram semáforos como se seguissem uma estrada invisível. Ainda assim - imagino que apenas pela dificuldade natural devida às suas dimensões - são os carros quem mais respeita as regras.

As bicicletas são o complemento ideal de uma rede de transportes públicos (sobretudo o Metro) com uma cobertura, interligação e frequência de passagem excelentes. E onde o metro não chega, apanha-se o comboio, ou o tramvia, espécie de comboio subterrâneo.

Numa outra frequência, as bibliotecas. Quando entrei aqui na biblioteca ia preparada para todas as dificuldades. Pensava na minha tentativa, em Portugal, de inscrever-me numa biblioteca perto de casa: pediram-me um documento que comprovasse a minha residência na área. Escusado será dizer que não voltei lá. Curiosamente, quando doei a essa mesma biblioteca umas boas dezenas de livros, não tive de comprovar nada.

Pois aqui entrei na biblioteca de Poble Sec e a senhora pediu-me o BI, tomou nota dos meus dados e, à saída, entregou-me um cartão que me permite utilizar livremente todas as bibliotecas da cidade de Barcelona. Que são algumas dezenas, e boas, com livros, CDs, DVDs, todos disponíveis para empréstimo domiciliário. O difícil é saber por onde começar.

Para contrariar estes sinais de progresso, é quase impossível encontrar na cidade maçãs que não saibam apenas a água ou pão que não seja baguete, por mais feitios, cores e nomes que tenha. Felizmente, com a minha bicicleta posso procurar todas as padarias, frutarias e mercados da cidade.


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