
As revistas são uma das invenções humanas mais extraordinárias. Situam-se numa zona nebulosa algures entre os jornais e os livros e não possuem nem a profundidade literária destes últimos nem a capacidade informativa de um jornal. Contêm essencialmente artigos ligeiros, não muito longos, profusamente acompanhados de imagens e muita publicidade à mistura (é ela que paga a revista). Poderíamos então dizer que são inúteis, dispensáveis, um luxo, o que é um rasgado elogio. Referimo-nos, evidentemente, a um certo tipo de revistas, aquelas de bom design gráfico e impressas em papel lustroso: as glossies.






Não faltam exemplos deste tipo: Vanity Fair, Esquire, Face, a própria Playboy, só para citar a mais conhecidas. Nas páginas de qualquer uma delas encontramos excelentes fotografias, soberbas ilustrações, tipografia sofisticada e uma criatividade gráfica que nos delicia o olhar sem nunca comprometer a eficácia da leitura, muito pelo contrário. As revistas são essencialmente visuais, a começar pela sua capa, geralmente um primor no domínio do design gráfico.
Grandes editores, grandes fotógrafos, grandes designers e até grandes colunistas estão por trás da aparente ligeireza de uma glossie, nomes como Annie Leibowitz, Richard Avedon, Tina Brown ou Neville Brody - a lista é enorme. E não se confunda ligeireza com falta de rigor. Algumas revistas têm uma personalidade forte, uma imagem de marca bem vincada e, sobretudo se são especializadas, tornam-se referência obrigatória nessa matéria. Veja-se a Time, a Rolling Stone, a National Geographic ou a Wired.




Não menosprezemos o papel cultural das revistas. Elas representam o expoente máximo da comunicação impressa, um produto elaboradíssimo e sofisticado que funde admiravelmente textos e imagens com grande eficácia e beleza. Mais do que a cultura geral que nos inculcam, sem dúvida essencial à nossa formação, são um veículo de cultura visual de extrema importância. Oxalá nas salas de espera dos consultórios médicos houvesse revistas como a Life ou a Vogue em vez dos habituais espécimes dedicados à fofoca ou à programação da TV. Nem que fosse ao menos a Playboy...
10 comentários
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Paulo Ferreira
Sinto uma deslocação espácio-temporal sempre que consulto as revistas que habitam as salas de espera e afins. Além do valor informativo questionável, estas publicações retratam ambientes sociais e personagens próprias da ficção científica, com a diferença de que tudo se passou há uma semana, há um mês ou mais tempo.
Carlos Afonso
A minha dose de revistas é muito diferente das aqui apontadas. Gosto de ler algumas revistas técnicas, algumas revistas de divulgação técnico-científica (o meu pai foi assinante da Science et Vie desde o início dos anos 60, eu sou assintante da Scientific American desde os anos 80 (assim como de uma catervada de outras revistas). Das revistas que conheci recentemente uma das poucas que me enche as medidas é a Inteligent Life do Economist.
O único consultório que frequento com regularidade 2 vezes por ano tem um conjunto de revistas nacionais sempre actualizado e até relativamente raro (há outros consultórios onde vou uma vez por outra e onde o expresso pelo Paulo Ferreira é inteiramente correcto).
Há muitos anos no American Language Institut distribuiam a Time e a Newsweek (com algumas semanas de atraso).
Bruno Dorneles
Eu acho que a revista é algo feito para um público alvo, por isso deixo de considerar ela um grande meio de comunicação.
Acho as revistas em geral bem elaboradas e diversas delas um lindo trabalho gráfico, já outras prefiro usar para acender uma fogueira do que para lêr (como a Veja).
Stephen Dedalus
Acho que as revistas são tão importantes quanto os jornais. Na verdade acho que elas são as versões siliconadas, com uma plástica melhor, dos jornais, os quais no dia seguinte ao de sua publicação já vão para as feiras livres embrulhar frutas, legumes e peixes... As revistas para isso não servem: vão direto aos consultórios, catadores de papéis e sucateiros.
Dedalus: é isso que eu acho fascinante nas revistas, o investimento na imagem e na qualidade gráfica é, não poucas vezes, para durar alguns dias.
Paulo: há de facto essa sensação de não fazermos parte daquele mundo. As revistas Lifestyle são, no fundo, contos de fadas...
mauricio planel
Revistas e jornais irão mudar muito, tem gente que diz que o NYT versão impressa acaba em 2014.
Uhnnnnnnnnnnnnnnnnnnn, será que demora muito pro estadão e o globo seguirem o mesmo caminho?
Abraços, blog muito legal. mais do que legal! vai tomar o lugar do NYT,
junior silva
SHOW DE BOLA ESTE SITE
jow
vou utilizar bem no meu trabalho de geografia sobre comunicação
fabiano carlos
eu trabalho numa revista, e achei bem interessante esse post. como mesmo o texto diz, a história gráfica das revistas ao redor do mundo, é rica e deslumbrante.
Igor Mourão
Estou fazendo uma busca sobre o lado positivo das revistas, e realmente elas tem um papel grandioso na comunicação, gostei da forma que o escritor defendeu seu tema, garanto que já tenho um novo olhar sobre as revistas, apesar de não ter tanto acesso as que são consideradas construtivas.