
É o único desportivo de quatro lugares actualmente produzido pela Ferrari. Ostenta umas linhas simultaneamente agressivas, elegantes e sóbrias, espelho do seu carácter, como só Pininfarina sabe desenhar. O seu ar clássico e deliberadamente retro não é de espantar: serviu-lhe de inspiração um modelo de 1954 também por ele desenhado, o 375 MM, famoso por ter sido oferecido à actriz Ingrid Bergman pelo realizador Roberto Rosselini. Os Ferraris do anos 50' foram, de resto, dos melhores objectos de quatro rodas jamais desenhados... Mas se, exteriormente, o 612 se mantém fiel à tradição, no seu interior as mudanças são mais que muitas e podem até chocar os seguidores mais radicais da mítica marca italiana.
São numerosas as concessões deste modelo ao conforto e à versatilidade, sem que isso prejudique, todavia, o seu temperamento desportivo. Este é um Ferrari que tanto se conduz na cidade, em pisos fracos e ritmos moderados, como se transforma numa máquina impetuosa. O condutor é que manda. Para isso dispõe de diversos dispositivos tecnológicos que lhe permitem alternar entre as duas personalidades do seu veículo. Suspensões macias, tecto panorâmico electrocrómico (muda a opacidade consoante a luz desejada), controlo de tracção, sistema de som ajustável em função do ruído (até o inconfundível ruído do motor pode ser abafado - heresia!), caixa automática, etc.
Poderão argumentar que Ferrari já não é o que era mas este tipo de refinamentos encontram justificação. Grande parte dos clientes da marca são pessoas que gostam de um carro confortável, ainda que desportivo, e apenas uma percentagem mínima é apreciadora da austeridade aliada às altas performances. Não admira, assim, que a Ferrari vá ao encontro dessa larga maioria, que é quem, no fundo, lhe assegura a fase próspera que atravessa. Para esses criou o programa One-To-One, onde cada cliente pode escolher (quase) tudo o que é acessório e detalhe no seu 612 Scaglietti. A tradição já não é o que era, é certo, mas afinal quem é que quer ter um Ferrari igual ao do vizinho? Eu cá não.




Ferrari 375 MM - 1954
13 comentários
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Sandra
Bonitinho, né? ;)
Mesmo assim se calhar eu preferia o original, o 375 MM ;)
? BJr
Apesar dos 4 lugares nao perde o charme. Não o conhecia, mt bom.
Oh, não são os quatros lugares que lhe tiram o charme... Aliás, é um dos mais belos Ferraris desenhados nos últimos anos.
Paulo Ferreira
Será que isso vem com auto-rádio que lê MP3?... Caso contrário, já não estou interessado.
Personalize, meu caro Paulo, personalize... ;)
DTSOUSA
Aqueles botoeszinhos no volante é que fazem maravilhas. Sem duvida um dos melhores nos ultimos anos por parte da Ferrari...muito bem conseguido!
Saudações
FS
Um carro de sonho para qualquer um...
SILENTVOICE
Fabuloso, tive a oportunidade de ver o programa da National Geografic que deu no Canal 2 e fiquei sem palavras! Poder assistir à criação de tal "especimen"! Mas a minha eleição vai para o F430 quer na vertente Coupé, como o Spider ou então o fantastico F430 Scuderia!
cesar
O carro deve ser muito bom, mas os bancos são feios.porisso acho que não vou comprar este modelo. Sou mais o HONDA cIVIC si
gustthawinhoh
meu pai tinha uma mas ele vendeu...
eu adorava voar nesse carro...
sam
Eu também já tive um, mas precisamos vender para comprar um jatinho, foi duro mas a vida é assim mesmo!
rodrigo
Os carros da Ferrari não são simples objetos do desejo, são a materialização do próprio desejo.
Um reportagem da revista Forbes, sobre os carros com os maior status do mundo, disse que de todos os carros expostos no salão do automóvel de Detroit naquele ano, os carros da Ferrari eram aqueles que as pessoas pediam para tocar com mais freqüência.
Tocar, sentir, desejar... Ou será que era só para ver se eram de verdade mesmo?
É isso.