
Pode parecer extravagante mas o discurso de Wayne Belger faz muito sentido. O acto de fotografar não deve ser fugidio e distante e resumir-se ao mero instante do disparo, apesar de nesse momento se fixar para a eternidade "um momento fugaz de luz e de tempo", segundo as palavras do próprio Wayne. Assim, quando escolhe um tema a fotografar, passa primeiro algum tempo a estudá-lo. Seguidamente idealiza como deverá ser o aspecto de uma imagem desse tema. Por fim constrói uma câmara fotográfica adequada, seguramente bizarra.
Wayne Belger é um autodidacta da vida. Fez de tudo um pouco até se interessar pela fotografia, uma paixão séria. A sua abordagem é bastante radical e por isso despreza processos muito artificiais, como a fotografia digital, e vira-se para o grau absoluto da fotografia: a técnica do pinhole. Através deste processo a relação com o sujeito fotografado é mais forte e o resultado final é mais verdadeiro, sem manipulações. Mas se o sistema é simples, o seu envolvimento é complexo - referimo-nos à caixa que contém a película fotográfica. É aqui que Wayne revela toda a sua criatividade...
Para construir a caixa da câmara pinhole começa por recolher objectos relacionados com o sujeito a fotografar - por vezes bastante bizarros - que podem incluir inclusivamente partes biológicas, dependendo do tema, e materiais tão variados e sofisticados como alumínio, titânio, cobre, latão, bronze, aço, prata, ouro, madeira, acrílico, vidro, osso, marfim, etc. Os resultados são espantosos.



A Heart é feita de alumínio, titânio, acrílico, formaldeído e um coração de criança e foi concebida para tirar fotografias de mulheres grávidas de, pelo menos, oito meses.


A Yemaya é uma câmara subaquática construída com alumínio, latão, pequenos seres marinhos e pérolas.


Concebida para estudar a beleza da decadência, a câmara Third Eye é feita de alumínio, titânio, latão, prata, pedras semi-preciosas e um crânio com 150 anos. O pinhole é precisamente o terceiro olho.


Altar é o nome desta câmara destinada a fotografar os numerosos altares que existem em locais onde houve acidentes rodoviários.
13 comentários
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sao
Gosto imenso do formato dos negativos. Mas ia quase dizer que parecem todos da mesma máquina por causa do altinho no "canto" superior direito, que é sempre igual, mas já fui ver as outras formas e são diferentes. ... embora as duas primeiras tenham uma depressão central muito parecida.
(O fotógrafo também não tem nada mau formato >:>)
Pode ser uma espécie de assinatura. Na fotografia pinhole o negativo é exactamente aquilo que a máquina "viu".
sao
É "mazé" marca de molde :D São tão fixes as fotografias. Tenho de explorar bem o site.
Ricardo Rayol
Vai no blog da lata mágica, eles fazem um trabalho fantástico com fotos feitas a partir de latas.
Voyager
Muito, muito bom. A ideia de fotografar altares nas bermas das estradas é algo mórbida, mas genial.
Gostei imenso do blog, parabéns!!
=)
Leno
OMG...
Arthurius Maximus
Bizarras, mas muito criativas. Adorei essa do crânio. Mas imagine sacar uma máquina assim em plena rua e gritar..."Olha o passarinho!"
Metade da audiência morreria de susto e a outra metade ia querer correr atrás de você. (rs)
Fábio Valentim
Muito irado mesmo. O mais bizarro de todos foi com crânio mesmo. Foi até mesmo diferente.
Plasticina
Muito bom ;)
Amanda
Quer dizer, a imagem é gravada na mente de uma pessoa de 150 anos...
Mostro a ela uma cena e após revelar o filme ela me mostra exatamente o que viu.
O cara queria uma opinião mais madura =)
Sim, muito madura mesmo, Amanda :D
dani
bobeirão =] to zuano
achei legal!!!*-*
bjos
Alyne
eu achei muito bisarro isso!!!