
Sempre foi desejo do Homem olhar para o futuro. É legítimo e não é difícil fantasiar com futuros distantes, cheios de invenções fantásticas e utopias deslumbrantes. De qualquer modo ninguém vai estar lá para ver... Mais difícil é, porém, imaginá-lo decorrido pouco tempo. E foi esta melindrosa tarefa que a empresa General Motors abraçou quando decidiu promover a exposição Highways and Horizons, também conhecida como Futurama, que esteve patente no pavilhão que construiu para a Feira Mundial de Nova Iorque, em 1939. O objectivo era mostrar como seria o mundo daí a vinte anos, ou seja, em 1960. No final, os visitantes recebiam uma tarjeta que ostentavam orgulhosamente e que dizia "Eu vi o Futuro!"
O pavilhão onde se localizava a exposição era claramente a grande atracção de toda a feira e havia motivos para isso, pois a GM tinha investido muito no evento. Num edifício concebido pelo arquitecto Albert Kahn, o designer Norman Bel Geddes colocou uma pista ferroviária onde circulavam em simultâneo mais de 300 carrinhos semelhantes aos de um carrossel e que permitia ao público deslocar-se confortavelmente por toda toda a exposição. Cada carrinho dispunha de um sistema sonoro individual com uma gravação que ia sendo reproduzida ao longo de todo o percurso e que informava os seus ocupantes sobre o que estavam a ver.



E o que havia de tão extraordinário para ver nesta exposição? Todo o espaço interior do pavilhão estava ocupado com um enorme modelo à escala reduzida de uma cidade do futuro, de 1960. Uma rede de estradas de todos os géneros e feitios dominava a paisagem e deixava clara a primazia dada ao automóvel, através de conceitos como a Autoestrada Automatizada e a Super Autoestrada, desenvolvidos por Bel Geddes e anteriormente publicados no livro Magic Motorways. Durante todo o percurso eram ainda mostrados aos visitantes diversos dioramas sobre a vida nas cidades futuras.



Um mundo deslumbrante, apoiado nas máquinas e na tecnologia, era prometido aos visitantes da exposição que de lá saíam maravilhados e confiantes no seu futuro próximo. Gostava de ter vivido naquela época, pela qual tenho uma nostalgia irracional, e gostava de ter acreditado no futuro cor de rosa daquela propaganda optimista com a candura de um conto de fadas. Hoje sabemos que era, afinal, tudo pura ilusão; quando nasci, em 1960, nada daquilo me aguardava...
Vídeo da exposição: Highways and Horizons (parte 1 e 2)
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comments powered by DisqusMarta Sousa
Este artigo fez-me recordar um filme de 1927, de Fritz Lang, Metropolis, em que também aí se antecipava uma sociedade evoluída, baseada na tecnologia e dependência dela. Sem duvida que as projecções daquele tempo ficaram muito longe da realidade desses anos.
Acompanho diariamente o vosso blog, e deixem-me felicitar-vos pelos artigos óptimos que colocam aqui todos os dias. Sem dúvida dos blogs portugueses mais interessantes que conheço.
seven
Muito obrigado, Marta. Esperamos continuar a fazer artigos óptimos ;)
Adrock Menezes
Olá tudo bem?
Gostaria de uma parceria com troca de links?
Quando tiver um tempo me responda, ok?
Abraço!
http://farejadordanet.blogspot.com/
tina oitcica harris
Muito bom. Quando era criança havi auma revisitnha ilustrada que falava de coisas fantásticas sendo descobertas. Uma delas era o asbesto.
Engraçado que esta descoberta genial se tenha tornado o horror de escolas e prédios institcionais.
Bom dia!
Diogo
Fantastico!
De facto o optimismo desta época é surpreendente.. como isso mudou
Parabens pelo blog
Ácido
Aqui fica o convite para uma visitinha num Blog Luso-Brasileiro,,, espero q seja do agrado. http://sexohumorprazer.blogspot.com/
HCL
seven
Obrigado pelo seu cumprimento, Diogo.
Tina: essa revistinha seria "Popular mechanics"?
tina oitcica harris
Quem sou eu? esta revistinha, que li entre os nove e treze anos era de tamanho um/quarto. Tinha pinta de Disney mas francamente não sei quem a publicava. A Abril?