Misha Gordin - fotografia conceptual


 Branco Conceptual Fotografia Gordin Minimalismo Misha Preto

"Aponto a minha objectiva para fora, em direcção ao mundo que me rodeia, ou aponto-a para dentro, para mim mesmo? Devo fotografar a realidade existente ou criar o meu próprio mundo, verosímil ainda que inexistente?" É com estas interrogações pertinentes sobre a natureza da fotografia que Misha Gordin nos introduz ao seu trabalho e, ao olharmos para ele, não restam dúvidas sobre a opção que tomou. Imagens de formas mínimas, contrastes fortes, composição rigorosa e significados misteriosos possuem a força de verdadeiros ícones. Raros são os fotógrafos que o conseguem.

Para Misha Gordin a fotografia conceptual é uma forma elevada de expressão artística ao nível da pintura, da escultura, da poesia ou da música. A questão reside mesmo no "conceito". E explica: "Um tema pobre, executado com uma técnica perfeita, resulta ainda assim numa fotografia pobre. Logo, o elemento mais importante de uma imagem poderosa é o conceito". A ideia e a sua materialização através da linguagem fotográfica torna-se assim a essência do processo da fotografia conceptual. Por esse motivo, as suas imagens são de uma simplicidade e minimalismo quase extremos - para que a ideia não seja ofuscada e o seu sentido não seja equívoco. É sintomático que a sua homepage se intitule bsimple.

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Toda a fotografia é sempre uma manipulação, embora haja a tendência para considerar que aquilo que é captado pela objectiva de uma câmara tenha forçosamente que existir. E se isto é particularmente verdadeiro na fotografia digital, facilmente modificada com algumas ferramentas do Photoshop, não o é menos na fotografia tradicional, onde desde sempre se fizeram montagens e correcções. Talvez por isso não surpreenda saber que todo o trabalho de Misha Gordin é feito exclusivamente pelos processos convencionais de química e laboratório.

Porque o faz? Mais uma vez tudo se relaciona com o aspecto conceptual. Se bem que a tecnologia digital seja uma excelente ferramenta de produção artística, carece de uma dimensão importante: a imperfeição do trabalho humano. E essa imperfeição, o grão de areia na engrenagem, é aquilo que confere beleza e sentido a toda a obra de arte.

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